Quem tem medo do Comunismo?

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Comunismo. Socialismo. Esquerda. Palavras usadas hoje em dia como adjetivos pejorativos. Três palavras que ainda causam medo em parte da população alienada e ignorante – não no sentido malicioso, mas literal.

Mas antes de surpreender que ainda teme o “fantasma do comunismo”, quero fazer algumas perguntas simples que talvez ajudem a entender o que é o comunismo. Você, caro leitor(a), acha importante o relacionamento familiar? É a favor de um país soberano, ou seja, o chamado “patriotismo”? E por fim, acredita que as pessoas devam ter direito a um pedaço de terra onde podem ter suas vidas dignas, assim como a preservação da natureza?

Qual seria seu parecer, caro(a) leitor(a), no que diz respeito a essas frases abaixo:

Ela rasgou o véu comovente e sentimental do relacionamento familiar e o reduziu a uma relação puramente monetária (…). A necessidade de mercados sempre crescentes para seus produtos impele-a a conquistar todo o globo terrestre. Ela precisa estabelecer-se, explorar e criar vínculos em todos os lugares.

– As indústrias nacionais tradicionais foram, e ainda são, a cada dia destruídas. São deslocadas por novas indústrias, cuja introdução se tornou essencial para todas as nações civilizadas. Essas indústrias não utilizam mais matérias-primas locais, mas matérias-primas provenientes das regiões mais distantes, e seus produtos não se destinam apenas ao mercado nacional, mas também a todos os cantos da Terra.

Ela aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos.

Acredito que, se suas respostas acima foram positivas, deve ser contrário(a) às citações acima, não é mesmo? Pois bem: você é um(a) comunista. Duvida? Substitua as palavras em negrito por “burguesia”. Voilà! Mas calma. Não precisa se assustar, afinal, você é uma pessoa justa, verdadeiramente humana e comprometida com o bem-estar e equilíbrio de nossa sociedade.

(A saber: as citações são um pequeno exemplo retiradas do chamado “Manifesto Comunista”, escrito e divulgado por Marx e Engels em 21 de fevereiro de 1848)

Indo mais além, poderia indagar se você também concordaria com os itens abaixo:

– Trabalho noturno abolido (o que permite a vivência familiar e o descanso natural de todos os trabalhadores e trabalhadoras);

– Residências vazias desapropriadas e ocupadas (garantindo um lar para pessoas necessitadas);

– Jornada de trabalho reduzida (importante para a saúde das pessoas e a garantia da preservação das famílias);

– Igualdade entre os sexos instituída (evitando diferenças entre homens e mulheres);

– Pena de morte abolida (impedindo que injustiças sejam causadas);

– Estado e igreja separados (importante atitude para que se respeite a diversidade religiosa e leis independentes das crenças, assistindo a todos e todas);

– Educação gratuita, laica e compulsória (como defende Paulo Freire, a educação é libertadora);

– Salário dos professores duplicado;

– Criação da Unidade Federal da Humanidade (barreiras geográficas e sociais não devem existir, afinal, somos todos iguais)

Medidas justas e humanas, não acha?

Pois saiba que essas propostas foram adotadas pelos “comunardos” ao tomarem o poder na cidade de Paris em março de 1871, durante a emblemática “Comuna de Paris”, que lutou por emancipação e melhorias nas condições de vida e de trabalho dos operários. Esta, por sinal, foi a primeira república proletária da história, fazendo frente à burguesia francesa que tentou resistir e assassinou milhares de trabalhadores e trabalhadoras (números que são retratados entre 10 e 20 mil).

Nós, trabalhadores e trabalhadoras, o eixo motriz do sistema que tanto nos explora, temos esse poder. (E não, caro proprietário de um pequeno negócio. Você não é burguês! Você é parte dessa engrenagem também, afinal, não detém nenhum meio de produção!)

Mas qual o motivo de temermos tanto essas palavras? Qual o receio que se deve ter pelo “pensamento em comum”, ou pelo “pensamento social”? Tudo isso se deve a propaganda altamente difundida pela burguesia que, amedrontada pela ascensão da igualdade social, que colocaria em risco seus interesses e domínios capitalistas, passou a “demonizar” tais pensamentos. Ainda hoje, com o apoio da mídia hegemônica e ocidental, comprometida com o capital, muito equívoco e mentiras são lançados na sociedade, tentando plantar a discórdia e a confusão em defesa da perpetuação do sistema exploratório que é o capitalismo e suas políticas neoliberais e neocoloniais.

Sendo assim, caro(a) leitor(a), aproveitando essa data comemorativa do lançamento do Manifesto Comunista, faço o convite para o conhecimento não apenas dessa obra, mas de toda essência que hoje rege os princípios da esquerda. E assim entenderá que tudo aquilo que é falado e defendido como sendo “uma ameaça”, na verdade é um jogo difamatório que atende aos interesses daqueles que te querem sob os cabrestos do capital.

Mais do que nunca devemos lembrar que há “conhecimento além da mídia” tradicional, e somente com essa educação é que teremos uma sociedade verdadeiramente liberta e nações soberanas.

Viva o Manifesto Comunista!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

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