D10s não está morto!

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Nietzsche afirmou certa vez que Deus está morto. Pode até ser verdade, mas D10s não está. O maior jogador de futebol de todos os tempos, e acima de tudo um humanista, internacionalista, segue vivo em nossas vidas. Eduardo Galeano foi certeiro em suas palavras: Maradona foi o mais humano dos deuses.

(E em mais uma das coincidências da vida, eis que seu corpo no deixou no mesmo dia em que nos despedimos da figura de Fidel!)

Maradona foi antológico por seus lances incríveis e magistrais dentro das quatro linhas. Mas seus maiores feitos foram eternizados nas lutas sociais e anti-imperialista. Maradona sempre se posicionou contra os abusos dos EUA; criticava abertamente Bush, Trump; condenava e ecoava o grito contra os embargos estadunidenses à ilha de Fidel. Maradona apoiou Chavez, Maduro, Morales, Lula, Kirchner, Fernandéz.

Como disse em outro artigo escrito em meu blog (“Parabéns, D10s!”), Diego era mais do que brilhante futebolista. Usava o futebol também para difundir sua luta por igualdade e justiça social. Foi assim no clube do Napoli (que anunciou que o lendário estádio San Paolo terá seu nome mudado para Diego Armando Maradona), que não apenas ascendeu no futebol, mas mostrou aos napolitanos que eles eram igualmente importantes tanto quanto os preconceituosos italianos do norte. O povo achincalhado e menosprezado pelos nortistas, que os denominavam – e infelizmente ainda o fazem – como sujos, pobres e vagabundos, tiveram a força de Maradona para se sentirem verdadeiros cidadãos italianos.

Na conquista da Copa do Mundo com a seleção argentina em 1986, mais do que o título do bicampeonato, a marca principal ficou no jogo das quartas-de-final, onde surgem dois míticos gols: o “gol do século” – em que Diego arranca antes do meio campo, driblando seis adversários e finaliza para as redes. No entanto, o primeiro gol do jogo (terminado em 2×1) ficou conhecido como “La Mano de Diós”. Na ocasião, o próprio craque admitiu que “marquei um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus”. Mas ao contrário do que muitos pensam e tentam difamar Maradona, em nenhum momento ele se autointitulou Deus. Sua referência divina fez alusão à justiça e retomada do orgulho argentino, que em 1982 foram derrotados pelos ingleses na “Guerra das Malvinas”, deixando não apenas a soberania abalada, mas um rastro de 649 jovens mortos.

Assim, Maradona é sim um D10s, que transcendia os gramados. Um espetacular e inesquecível jogador, e não menos maravilhoso e fundamental socialista! Gracias, Diego!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

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