Vereadores: gente séria e oportunistas

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Época de eleições municipais. Candidatos e candidatas é o que não faltam. Alguns têm realmente um histórico político e de luta pela cidade. Mas outros – e outras – surgem do nada; os novos “Tiriricas” na esfera municipal.

Não sei até que ponto a picardia dessa gente é verdadeira, ou tenta fazer de seus eleitores os verdadeiros palhaços. Pessoas totalmente desconhecidas, sem qualquer envolvimento político, do nada, resolvem “amar a cidade”.

Em minha cidade, por exemplo – pobre e desprezada Americana – um dos candidatos à reeleição ao cargo de vereador é um ex-tucanalha, que hoje mudou-se para o PSL. Um dos cabeças do MBL na cidade – até ser expulso por empregar funcionário fantasma: sim, o sujeito conseguiu ser expulso de daquele movimento canalha! – puxou manifestações apoiando o golpe contra Dilma, em claro oportunismo para fazer seu nome em meio ao eleitorado analfabeto. Defendia a tal “família acima de tudo”, mas esquecia de seu passado e do BO que sua própria mãe registrou contra ele por agressão. Além disso, seu pai foi obrigado a instalar um rastreador em sua BMW, pois o ilibado cidadão sumia constantemente, por dois, três dias, sem dar satisfação. O motivo: alimentar seu vício em cocaína – conforme teve que admitir posteriormente dado suas ausências por meses na Câmara Municipal. Nada contra seu vício, afinal, meta o nariz – literalmente ou não – onde quiser. No entanto, a hipocrisia é gigante por parte desse “cidadão de bem”. Hoje, o candidato que mais se ausentou do que esteve presente nas sessões da Câmara, polui a cidade com seus “santinhos” com a foto ao lado de Bolsonaro, ainda defendendo o lema de “patriotismo e família”.

Outro candidato, à prefeitura, tornou-se um dos vereadores mais votados em 2016…mesmo não morando na cidade! A prova de que o povo que elege essa gente não sabe quem elege. Hoje, o mesmo sujeito, vindo de uma família tradicional na política, sendo o pai deputado federal – envolvido em propinas da Odebrecht –, golpista, apoiador de Cunha e Bolsonaro, e o irmão, presidente da Alesp, chefiando todas as tramoias do PSDB. A tripleta que se diz americanense, mas mal pisam na cidade…exceto em época eleitoral. Pessoas que se julgam acima de qualquer suspeita, mas que por décadas vivem às custas do dinheiro público – inclusive mandando e desmandando em um dos jornais da cidade.

E o que dizer de tantos outros e outras que nunca deram as caras na cidade, jamais se manifestaram ou posicionaram sobre qualquer aspecto político, e eis que resolvem “fazer a cidade grande de novo”? Mais lamentável que esses oportunistas – que muito provavelmente enxergam uma bela oportunidade de “ganha pão” (um belo brioche francês pelo salário!), – que almejam atingir o cargo público é que sabem que não serão cobrados por seus eleitores. Será que todas as pessoas lembram em quem votaram nas eleições passadas? Será que sabem que podem – e devem – cobrar seus candidatos por aquilo que prometeram?

Por isso vemos o cargo de vereador sendo leiloado e concorrido por qualquer um. Entre gente séria e comprometida, disputam parasitas, beldades que usam de sua beleza e charme para atrair votos – tal como fez Collor em 1992 –, ex-jogadores sem qualquer noção política, donos de estabelecimentos e aqueles que usam da causa animal para angariar votos.

O analfabetismo político é o grande inimigo da democracia. Enquanto a população não tiver cultura política suficiente, e continuar a eleger figurantes, nenhuma avanço será feito na política. Enquanto não entenderem que não adianta eleger um prefeito sem que se tenha sua base eleita juntamente na Câmara, pouca coisa será feita. A educação política é algo que nosso país precisa urgentemente. Sem ela, picaretas seguiram zombando de nossa cara.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

2 comentários sobre “Vereadores: gente séria e oportunistas

  1. A cada nova eleição o país afunda na mesmice e no analfabetismo político de uma sociedade alienada em reality shows, futebol, buce**, cerveja e novelas. Pelo fato do Brasil ter sido colonizado (estuprado seria a palavra certa) por europeus, não temos o DNA latino de um povo revolucionário, como no restante das nossas nações irmãs latinas, um exemplo recente de revolução sem abaixar a cabeça pro sistema, é o Peru, que fez um ditador permanecer apenas 6 dias no poder e depois foi derrubado pelo povo. Acordaaaaaaaa Brasil, deixem de ser massa de manobra para canetas e gravatas, poder popular é a ordem que precisamos .

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