Por que defender o MST?

A terra, ela é sagrada. Nas mãos de quem trabalha a terra
Suor, vida, trabalho e terra. O direito a terra é de quem trabalha
Com a vida que nasce da terra, e ao pó da terra a vida voltará

(Canto da Terra Sagrada – Paulo Amorim)
Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Outras vezes já falei sobe o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e sua importância para a democratização das terras. Terras essas, por sinal, que devem ser distribuídas quando não producentes, seguindo nossa Carta Magna, promovendo a urgente e necessária reforma agrária:

Artigo 184 da Constituição Federal: “Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social […]

Afinal, à quem serve o latifúndio, a não ser a especulação imobiliária, concentrando muitas terras nas mãos de poucos, enquanto muitos nada têm?

Corajosamente, sob o lema de OCUPAR, RESISTIR e PRODUZIR, esse movimento social é um dos mais importantes atualmente, principalmente por conta de um regime autoritário e fascista que cresce em nosso país.

Gente aguerrida, trabalhadora, lutadora.

Em tempos onde o agronegócio manda e desmanda no (des)governo com a “bancada ruralista”, cada vez mais e mais agroTÓXICOS são liberados para a contaminação ambiental, sob a falaciosa ideia de aumentar a produção, a agricultura orgânica e familiar se  levanta e se une. 

A unidade é tamanha e importante, que faz do MST o maior produtor de alimentos orgânicos do país.

É mais do que necessário o apoio da sociedade para com esses agricultores e agricultoras, que confrontam a petulância e a força do agronegócio, não apenas para promover a produção de alimentos saudáveis, mas também para dizer um basta aos abusos desse meios de exploração, insustentável para nossa sociedade.

E falar do MST, é falar de agroecologia e ecossocialismo, uma vez que visa sim a produção, mas sem extrapolar os limites da natureza. Mais do que isso, como bem diz a socióloga e professora Sabrina Fernandes, o ecossocialismo também preza a reorganização do trabalho, qualidade de vida, justiça social internacionalista, alimentação melhor e saudável e, claro, repensa o impacto que nossa sociedade causa no planeta. Tudo aquilo a que se opõem o agronegócio.

A disputa entre o agronegócio e a agroecologia é desigual, muitas vezes desumana.

Puberdade precoce, má-formação de fetos, alergia alimentar, câncer, contaminação da água, do solo, do ar e até do leite materno. Esses são alguns dos reflexos do que agrotóxicos causam. Além de Tóxico, o Agro é Mentiroso. O Agro Escraviza. O Agro Desmata. O Agro promove a perda da biodiversidade e ameaça a própria produção alimentar – basta vermos o que está acontecendo com as abelhas, insetos extremamente importantes para a polinização  de 80% dos alimentos que consumimos.

Mais do que uma produção saudável, fruto da terra, com preço justo, o MST promove educação, cultura, formação cidadã. O alimento saudável é o carro chefe desse movimento, e defendê-lo é sim um ato político! E isso incomoda tanto que os assassinatos no campo, e em terras indígenas ocorrem livremente, contando com a conivência não apenas de um presidente fascista, mas das próprias autoridades que deveriam proibir e impedir esse extermínio.

Sem a posse da terra, não há produção de alimento saudável, nem dignidade e justiça social. A luta que começou há mais de 35 anos, deve continuar.

Lutar é um ato de resistência! Lutar contra o fascismo é nossa obrigação!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências.

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