160 anos da “Origem das Espécies”…que não deu certo?

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Dia 24 de novembro de 1859. Uma data que mudou o mundo. Wallace e Darwin, destemidos e unidos pela Ciência, tomaram coragem e publicaram o revolucionário livro “A origem das espécies”. Um livro repleto de fatos, dados e provas que substanciaram a revolução e o rompimento doutrinador do criacionismo.

(Em tempo: durante sua passagem pelo Brasil, Darwin mostrou-se abismado com a desigualdade social, a escravidão e a própria corrupção – a ponto de relar em seus diários que os brasileiros eram “infames”, “covardes”, “ignorantes” e “indolentes”. E não estava certo?)

Um livro que, apesar do título, não traz a informação precisa de como surgem as espécies, mas indica com ideias e provas contundentes como as espécies evoluíram, rompendo de vez com a doutrina religiosa, sem, no entanto, deixar de lado a crença em algum superior – como uma Deus – como muitos tentaram alegar ao condenar a teoria evolutiva.

Hoje, em pleno ano de 2019, ainda tentamos lidar com conservadores e sua cegueira ignorante perante aos fatos. Darwin e Wallace são grandiosos. Enfrentaram o sistema totalitário da Igreja, trazendo a luz ao pensamento obscuro e fantasioso, metafórico. Mas não foi fácil, tal como reacionários terraplanistas, que destinam sua bravura por trás de uma tela hoje em dia, os cientistas enfrentaram fanáticos religiosos, até mesmo ‘in loco’ que criticaram as verdades evolutivas, e achavam absurdo comparar humanos “imagem e semelhança de Deus” com meros animais e criaturas “irracionais”. Para esses moralistas, era inadmissível que o ser humano fosse um animal; uma afronta à Deus.

160 anos depois, vivemos período semelhante? O ressurgimento de ideias obsoletas, corroboradas por youtubers sem qualquer tipo de formação, mas com milhões de seguidores que acreditam nas falaciosas colocações e proliferam tais absurdos? “Heróis” que divulgam Fake News, que são contrários às vacinas, que tentam convencer que refrigerantes usam fetos abortados como adoçante, ou ainda que os cigarros fazem bem à saúde. E, claro, ainda acham que o Brasil está sob risco do comunismo, o sempre inimigo imaginário do capitalismo…

E o que nós estamos fazendo para desmistificar todas essas baboseiras?

Acredito na teoria da “seleção natural”, onde os indivíduos mais aptos sobrevivem em meio à adversidade. No caso, em meio a tamanha ignorância e analfabetismo, desinformação, serão os mais cultos, estudiosos, informados quem conseguem sobreviver? Ou será que estamos perdendo espaço para seres menos aptos, ditados pelo ódio e abastecidos pela ignorância?

Que Darwin nos socorra antes que sejamos jogados pela bordada Terra plana e morramos pela não aceitação de vacinas com microchips ao bebermos refrigerantes feitos com fetos de bebê.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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