Carta Aberta à Polícia Federal

Luiz Fernando Leal Padulla*

Estarrecedora a notícia de que policiais federais invadiram a masmorra de Curitiba, onde se encontra refém o preso político Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã da última terça-feira (05 de novembro). Em claro objetivo de intimidação, tomaram essa atitude sob a justificativa estapafúrdia de entregar-lhe uma intimação para um depoimento que visava prender Dilma.

Primeiro porque, uma vez já preso – ainda que sem provas em um processo todo contaminado e inconstitucional – não há necessidade de uma intimação ser entregue ex-presidente, como salientaram seus advogados. Segundo, qual a necessidade de “madrugarem” na própria sede para fazer isso?

Essa atitude retrata não apenas a subserviência desses funcionários ao “chefe” – e escancarado inimigo e perseguidor de Lula – e ex-juiz (sic) Sérgio Moro, mas também a mentalidade vazia desses policiais federais, afinal, tal órgão público só tem o reconhecimento, valorização e liberdade de trabalho justamente por conta dos governos petistas, em especial, nos tempos de Lula.

A memória vazia, nutrida pelo ódio e analfabetismo político ditado pela mídia golpista, parece ter alimentado e contaminado também esses pobres policiais federais.

Teriam esquecido que os governos anteriores ao PT limitavam as investigações desta instituição? Não se lembram que nos governos Lula e Dilma sempre houve autonomia para as operações? Se gostam de números, aqui vai: entre 2003 e maio e 2014, foram realizadas pela PF 2.226 operações, número muito superior às 48 outorgadas durante os oito anos do governo tucano de FHC.

Ajudo aos referidos policiais a lembrar que foi Lula quem autorizou a contratação de mais servidores para a Polícia Federal por meio de concurso público, além de ampliar o orçamento da instituição e adquirir equipamentos de inteligência.

Ao apoiarem e se sujeitarem às vontades ardilosas e autoritárias do ministro (sic) da Justiça, fazem desacreditar toda a seriedade do PF. Ao mesmo tempo em que cavam a própria cova para enterrar seus direitos trabalhistas e até mesmo a sua autonomia. Ou será que estão ignorando a proposta do ministro Paulo Guedes em abrir ao mercado externo à emissão de papel moeda e passaportes, como parte do plano de privatização da Casa da Moeda? Hoje abrem às empresas estrangeiras a tutela para o papel moeda, amanhã serão seus cargos, talvez? E o que dizer da proposta de “estado emergencial”, que autorizará a redução do salário de vocês, servidores públicos? Será que apoiarão também a nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a estabilidade para servidores públicos?

Com tudo isso, continuam achando que o tal “Mi(n)to” é realmente um patriota, que defende nossos interesses e nossa soberania nacional? O que falta para reagirem a tudo isso, darem um basta e organizarem um levante contra os crimes lesa-pátria proporcionado por Bolsonaro, seu clã de milicianos e seus cúmplices que ocupam cargos políticos estratégicos?

O curioso é que a missão da PF é assim declarada: “Exercer as atribuições de polícia judiciária e administrativa da União, a fim de contribuir na manutenção da lei e da ordem, preservando o estado democrático de direito”. Pergunto a cada um de vocês, senhores e senhoras: a qual estado democrático de direito estão respondendo e defendendo?

Seriam realmente seus valores a coragem, lealdade, legalidade, ética e respeito aos direitos humanos, como pregam? Tudo indica que não. Afinal, é muita hipocrisia – ou mau-caratismo? – sendo praticada perante tais juramentos.

Por que, ao invés de importunarem um preso político, não apresentam uma operação realmente válida e de interesse dos brasileiros e brasileiras, como por exemplo, a busca por Queiróz e seu laranjal? Ou ainda o assassino de Marielle Franco, cuja execução já completou mais de 600 dias sem qualquer culpado?

Com todo respeito que ainda quero ter pela Polícia Federal e seus princípios – aqueles mesmos defendidos por Lula e Dilma –, infelizmente acredito que esta instituição está se desfazendo, perdendo cada vez mais sua credibilidade ao se alinhar com bandidos e fadada ao retrocesso, desmoralizando-se tal como o farsante Sérgio Moro. Assim sendo, a Polícia Federal de hoje nada mais parece do que um puxadinho do Planalto miliciano.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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