Parabéns, D10s!

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Nascia em Lanús, dia 30 de outubro de 1960, não apenas um gênio da bola, mas um ícone no cenário mundial: Diego Armando Maradona. Seus feitos enquanto atleta são inegáveis – o melhor de todos os tempos –, mas o que deve ser lembrado e comemorado é sua influência na luta pelos oprimidos e justiça social.

Em campo, um atleta habilidoso, com garra, genial, extremamente técnico e frio. Fora dele, um ser humano as vezes polêmico, mas autêntico e coerente em sua luta. Sem exagero algum, afirmo que Maradona tem a mesma influência e representação hoje do que teve Martin Luther King em sua luta contra o racismo nos EUA.

Maradona é acima de tudo um humanista, preocupado com as situações políticas de seu país e do mundo. Não à toa toma partido contra os EUA, apoia o chavismo, caminha com Maduro, defende Cuba contra as atrocidades ianques, criticou e lutou contra a política neoliberal de Macri, fez campanha por Alberto Fernández, e apoia e defende a liberdade de Lula.

“Os corruptos, lamentavelmente, vencem algumas batalhas, mas as guerras dos países são vencidas por aqueles que realmente querem bem ao povo. Lula, meu amigo, siga adiante, porque todos o apoiamos”, disse certa vez El Pibe de Oro.

Maradona ficou muito conhecido não apenas pela conquista da Copa do Mundo de 1986 e o famoso gol com “la mano de Dios” contra os imperialistas da Inglaterrra – um gol antológico, e com significado histórico pela recente crise entre os países por conta da Guerra das Maldivas e a morte de 649 argentinos: o gol acalentou um pouco a derrota na guerra, trazendo um sentimento de vingança e afagando um pouco as mágoa do povo.

Seu reconhecimento extrapolou os campos. Jogando pelo até então pequeno clube do Napoli, na Itália, Maradona permitiu a ascensão e reconhecimento do clube. Na temporada de 1986-1987, Maradona carrega o Napoli ao seu primeiro título da Série A do Campeonato Italiano, justamente sobre os “burgueses” da Juventus de Turim. Em 1988/1989 conquista o primeiro título continental, a Copa da UEFA. Já em 1989/1990, o Napoli conquista o bicampeonato italiano.

A notoriedade do clube não se resumiu apenas aos campos, mas para toda região sul da Itália. Tradicionalmente isolada do norte, Nápoles sofria com o preconceito, cujos cidadãos do norte se referiam à cidade como perigosa, suja, repleta de pobres e vagabundos.
Com tamanha fama e prestígio, Maradona consegue outro feito histórico: em plena Itália,  no estádio San Paolo, de seu clube, convocou os napolitanos e simpatizantes a torcerem pela Argentina, e não pela Itália durante a semifinal da Copa do Mundo.

Disse Maradona: “Durante 364 dias do ano vocês são considerados pelo resto do país como estrangeiros em seu próprio país e, hoje, têm de fazer o que eles querem, torcer pela seleção italiana. Eu, por outro lado, sou napolitano os 365 dias do ano”. Seus admiradores, cansados da segregação e preconceito dos nortistas atenderam ao chamado e apoiaram a seleção argentina de Diego Maradona, que eliminou a Azzurra nos pênaltis, após 1×1 no tempo normal.

Apesar de perderem a final para a Alemanha Ocidental, o momento foi mágico, histórico e inesquecível.

Esse é Maradona. Um ser autêntico. Um craque. Um humanista. Impossível compará-lo com Pelé, cujas atitudes são totalmente opostas e absurdas, como o apoio à Blatter para a presidência da FIFA e, pior ainda, apoiando e fazendo campanha para o fascista Bolsonaro. Assim, para quem insiste em dizer que Pelé é rei, digo e defendo que Maradona é D10s!

Parabéns, Diego!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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