A ciência prova: a direita é preconceituosa

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Recente matéria de um estudo do psiquiatra Alain van Hiel afirma que pessoas com níveis de QI (quociente de inteligência) inferiores apresentam comportamento e tendência à direita. Pesquisa apresentada na revista alemã Emotion mostrou que os que tiveram menor pontuação nestes testes de inteligência são as que defendem temas intolerantes, como racismo, xenofobia e homofobia. Não é primeira vez que esse tipo de pesquisa retratou essa relação entre baixos QIs e inteligência.

Em 2012, a pesquisa da Universidade de Ontário, no Canadá, publicada na revista Psychological Science, novamente através de testes de QI, concluíram a mesma coisa. E mais do que isso, apontou que crianças com baixo QI estão mais dispostas a realizar atitudes preconceituosas quando se tornam adultas. Percebe-se, portanto, que em um ambiente intolerante geram ideologias socialmente conservadoras e, consequentemente, preconceituosas, xenófobas e autoritárias.

Não sou psicólogo, mas qualquer um poderia concordar com esse tipo de resultado – até mesmo os direitistas. Explico o motivo. Entre os pensamentos de direita e esquerda, de quem é a preocupação para com o próximo? Quais dessas vertentes luta pela igualdade e justiça social, sem exploração desumana do capital, mesmo enfrentando as desinformações da mídia oligárquica, que manipula massivamente as pessoas?

Eis que surge uma nova pergunta: por que essas pessoas agem assim? Qual a lógica? E a resposta pode ser dada pela “normose”, aquilo que alguns psicólogos e filósofos chamam de manutenção de uma zona de conforto, um conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos aprovados por uma maioria e que até mesmo causa sofrimento.

A educação, atuante como deve ser, na formação de cidadãos pró-ativos, pensantes e críticos, deve sim despertar esses jovens para a questão social e os problemas mais amplos que o mundo enfrenta – o que muitos querem tentar rotular de “doutrinação”, na tentativa de intimidação dos educadores. As mudanças e informações devem ser estimuladas e apresentadas.

As pesquisas são preocupantes sim, mas nem tudo está perdido. Em 2011, estudos da University College London e do Centre for Educational Neuroscience, na Inglaterra, mostraram que o QI pode aumentar ou diminuir na adolescência, derrubando assim a percepção de que os níveis de QI não pode ser alterado. Assim, somando-se os estudos, podemos orientar que ser esquerdista, além de ter uma visão mais humanizada e solidária do mundo, também é favorável para que seu QI seja elevado.

Mais do que o QI, ainda que muito utilizado em testes de empregos, a qualificação da pessoa também é avaliada por seu quociente emocional (QE). Resumidamente, a união do QI e do QE resulta na Inteligência Emocional (IE), e essa sim sendo considerável para o ingresso e o sucesso na empresa. Uma pessoa com uma IE bem desenvolvida é mais produtiva, sabe trabalhar melhor em equipe, desenvolve relações interpessoais mais saudáveis, é mais otimista e soluciona problemas. Ou seja, empatia, solidariedade, humanismo – princípios esquerdistas – são fundamentais para o desenvolvimento do QI e, consequentemente, para melhores índices de IE.

Mais uma vez a ciência provando que a visão da DIREITA é defasada, sem fundamento, retrógrada, enquanto ser ESQUERDA é muito mais do que um partido, é uma condição de vida em sociedade igualitária, justa.

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

Link da pesquisa de 2012: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0956797611421206

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