Você comeria um cachorro?

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Li recentemente uma matéria de um festival chamado “Yulin Dog Meat Festival”, que ocorre na província de Guangxi, localizado 400 quilômetros de Hong Kong. Durante 10 dias calcula-se que 100.000 cães (e até gatos) são torturados e comidos. Um festival “cultural”.

Afinal, no que difere essa matança dos demais animais, como bois, porcos e galinhas?

Somente no primeiro trimestre de 2019, foram mortos 7,77 milhões de gados no Brasil. No mesmo período foram 11,3 milhões de porcos e 1,45 bilhão de galinhas!

Todos esses animais citados, assim como tantos outros – aos quais poderemos até acrescentar alguns invertebrados – são seres sencientes, dotados de consciência e sentimentos.

Ou seja, são animais – assim como nossa espécie Homo sapiens – capazes de sofrer, sentir prazer ou felicidade; seres com a competência de receber e reagir a um estímulo de forma consciente, como a dor, angústia, solidão, amor, alegria e raiva.

Já imaginou o que se passa na cabeça desses seres quando são transportados em caminhões, sofrendo com as intempéries? Coloque-se no lugar de galinhas amontoadas em caixas e porcos amontoados em um caminhão, sob um sol escaldante. Ou ainda no lugar de bois e vacas navegando durante semanas em condições insalubres.

Imagine você, sem espaço para andar ou deitar, sem segurança, sob calor e frio intensos, envoltos em fezes e urina, sem acesso a água ou comida adequadas. Ao término dessas viagens, muitos chegam feridos e até mortos depois de tanto sofrimento.

Em pleno sol do meio-dia, galinhas são transportadas em caixas

Talvez pela proximidade com o homem, e serem considerados membras da família, a sensibilização para com a morte de cães e gatos seja maior – e até mais fácil. No entanto, é necessário que façamos uma análise de nossas atitudes, mesmo que isso custe um processo de desconstrução e a tomada de atitudes mais “humanas”.

Não serei hipócrita a ponto de condenar quem ainda come carne, afinal, passei a maior parte de minha vida sendo carnívoro. Hoje, depois de quase 8 anos sendo vegetariano, acredito que de nada adianta impormos isso na cabeça das pessoas – deve partir de cada um. No entanto, posso afirmar que essa mudança de hábito – e cultura – só me trouxe benefícios, tanto físicos como de consciência. Por que você não tenta também?

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

2 comentários sobre “Você comeria um cachorro?

  1. É bem complicado…vou tentar, mas é bem difícil qdo tem mais pessoas na casa que não dispensam carne…obrigada pelo alerta, vamos tentar 👍🤔❤

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