Suicidados em tempos de exceção

Luiz Fernando Leal Padulla*

Mortes em tempos de exceção não são novidades.

E para piorar, em pleno século XXI, no ano de 2019, ignorantes e desumanos ousam celebrar a barbárie do golpe militar de 64 e seus cadáveres ocultos.
Percebemos que não avançamos quase nada em nossa recente democracia (me atrevo até dizer que hoje, depois do golpe parlamentar, vivemos uma pseudodemocracia).
No golpe militar, a perseguição política era evidente, e caçava – literalmente – possíveis “ameaças comunistas”, como fazia a organização paramilitar do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). A morte era certa, e os corpos desovados em valas clandestinas – e muitos até hoje não foram encontrados – ou escancaradamente “descobertos” sob a justificativa de “atropelamentos e suicídios”. Lembremos da imagem do “suicídio” do jornalista Vladimir Herzog, grosseiramente forjada para livrar a cara dos milicos?
(Em tempo: e pelo jeito, jamais serão encontrados e/ou identificados, pois o nazifascista que assumiu a presidência de nosso país, baixou um decreto impedindo o trabalho de técnicos nesses serviços).
Hoje temos uma ameaça velada à nossa luta, vinda de empresas e de pais que ameaçam as escolas em que se leciona, em clara tentativa de intimidação. No entanto, mortes também seguem acontecendo…e de formas muito suspeitas, o que inclui a conivência de órgãos públicos, como a própria polícia e membros do Ministério Público.
Quem não se lembra do “suicídio” de Lucas Arcanjo, aquele policial civil de Minas Gerais, que denunciou nas redes sociais – após ter ajuda negada e não ser ouvido pelos órgãos públicos – a relação direta do então senador do PSDB, Aécio Neves com o tráfico internacional de drogas? Esse mesmo tucano que também teve seu nome envolvido com a morte da modelo Cristiane Aparecida Ferreira, que servia como laranja no caso do mensalão mineiro do PSDB. Vale lembrar também do aeroporto de Cláudio (cujo inquérito foi reaberto depois do primo de Aécio ser grampeado pela Polícia Federal confirmando algumas dessas suspeitas), construído com verba pública em sua propriedade.
E não podemos esquecer do helicóptero dos Perrela, com quase 500kg de pasta base de cocaína, apreendido com suspeitíssima parceria do deste mesmo aeroporto particular – mas ninguém mais toca no assunto. Por medo de “ser suicidado”?
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Novo “helicoca”: aeronave recheada de cocaína, tal como de políticos tucanos. (Fonte: g1.com)

 

Falando em “helicoca”, no início do mês de abril novo helicóptero com 500kg de cocaína foi apreendido em Presidente Prudente, em operação contra o tráfico internacional de drogas. E adivinhem? Novamente, políticos da direita estariam envolvidos com o caso: o helicóptero pertence a empresa Park Sul Derivados de Petróleo, e tem como um dos donos Remi Vitorino Sorgatto, pai de Diego Sorgatto, deputado estadual em Goiás…pelo PSDB. Eis que três dias depois, foi encontrado morto uma das pessoas que estava envolvida no caso, com um tiro na cabeça, em um motel. E eis que a polícia afirma que ele se suicidou!
(Por falar nisso, alguém sabe por onde anda/voa Aécio Neves?)

Recentemente foi a vez de mais um “suicidado” aparecer: o doleiro “Tonico”, operador das negociatas do ex-presidente e golpista Michel Temer, Antônio Claudio Albernaz Cordeiro. Queima de arquivo?

A pergunta que fica é: se com o golpe militar foram necessários 50 anos para que a verdade viesse à tona  – ainda que parcialmente, e graças às leis sancionadas durante o governo de Dilma Rousseff, como a Lei de Acesso às Informações e a Comissão Nacional da Verdade (que agora sofrem censura por parte do governo laranja/miliciano de Bolsonaro), será que crimes como os citados serão algum dia elucidados ou continuarão sendo tratados como suicídio? Será que algum dia veremos políticos da direita finalmente pagando pelos atos covardes ou continuarão livres, leves e soltos? Há esperança na verdadeira Justiça, ou seguiremos sobrevivendo sob togados corruptos da JustiSSa partidária e seletiva?

Por mais que a esperança deva morrer por último, as ações abusivas e inconstitucionais contra Lula, sob a batuta de um Supremo Tribunal Federal, assim como o Superior Tribunal de Justiça, não nos acalentam. Ou reagimos para valer, ou apenas lamentaremos!

 

*Professor, Biólogo, Mestre em Ciências, Doutor em Etologia

3 comentários sobre “Suicidados em tempos de exceção

  1. Procurava algo onde ciência e política estivessem juntas, sem uma se desgarrar da outra, e acabei achando. Tomara, espero, que não seja um ciência ou uma política, embora agarradas uma a outra, tendenciosa, faccionista, como se diz por aí. Pois: ciência e política tendo como centro, o Homem.

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