O dia seguinte

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

O dia amanheceu como sempre.

Mesmo depois de ir para a cama passado 1h da manhã.

A cabeça ainda estava irriquieta, atônita com tantos absurdos e vocabulários rebuscados que tentavam justificar votos injustificáveis. Até mesmo citações bíblicas foram usadas em uma Côrte representativa de um Estado laico.

O dia amanheceu.
Peguei minha bicicleta e fui trabalhar. No percurso, ainda tentava digerir o que fizeram com nosso país.
Primeiro inventaram um crime contra Dilma e convenceram parte da nação para defenderem essa falácia. Puseram em seu lugar, um golpista alinhado com o interesse ianque, em conluio com os verdadeiros corruptos do PSDB e (P)MDB.
O golpe, travestido como impeachment na tentativa de legitimá-lo, foi contra o país; contra a soberania nacional. Foi mais que uma questão política; foi geopolítica em suas entranhas.
E quando um líder como Lula, aprovado por 87% da população em seus governos, ameaça voltar à presidência, dando um basta a todo retrocesso e prometendo regular a mídia oligárquica e golpista – leia-se principalmente Rede Globo -, eis que se fez valer a fala de Jucá e a “solução Michel Temer…em um grande acordo com o Supremo e com tudo“.
O dia amanheceu e cá estou em meu trabalho, olhando para meus alunos e alunas e preocupado com o presente obscuro e futuro sombrio que lhes aguarda.
Em um país que tomava seu rumo e era respeitado e conhecido mundialmente, de repente, por interesses escusos, viu tudo se desmanchar. A combalida Constituição já não se faz mais válida. Em seu lugar, o Estado de exceção, onde a “lei” se aplica apenas para um dos lados mesmo sem qualquer tipo de prova, e ignora as mesmas e os fatos contra aqueles “que não vem ao caso”.
O dia amanheceu mais triste sim. Não apenas pela iminente possível prisão de um estadista, mas pela ruptura democrática sofrida em nosso país.
A raiva que nutria pelos “cidadãos de bem” e “patriotas” já não existe mais. E não porque os tenha perdoado, mas pelo fato de saber que cedo ou tarde, esses mesmos manifestoches sofrerão as consequências deste golpe. Mas agora será tarde para lamentarem  – e tal como o golpe de 64, talvez demorem cinquenta anos ou mais para se retratarem e se desculparem.
Na pior das hipóteses, eu e demais companheir@s e camaradas sempre teremos a consciência limpa e a tranquilidade de termos lutado do lado certo da história. No futuro que se vislumbra, ainda que árduo, nossa honra e orgulho permanecerão.E isso nos motivará como sempre a lutar. Por nós, pelo Brasil e também por esses analfabetos políticos funcionais.
Da luta não me retirarei! Novos dias amanhecerão, e com eles, mais disposição!
*Professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências
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4 comentários sobre “O dia seguinte

  1. Sim, a atual situação politica do país é caótica. O cenário é de entreguismo e subserviência ao capital estrangeiro. O desmonte do estado tem sido progressivo e as conquistas sociais dos últimos doze anos abandonadas pelos atuais gestores…
    Mas, não devemos desistir de lutar por soberania, pelo que país que queremos deixar para nossos descendentes. Resistiremos!

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