Por que eu não sou ateu?

*Luiz Fernando Leal Padulla

Recentemente, em função de uma tatuagem que fiz de Darwin, muitos vieram me perguntando se eu era ateu – por sinal, uma falsa ideia propagandeada sabe-se lá por quem, de que Darwin era ateu.

Pois bem. Digo e repito: não sou ateu. E tenho minhas razões para isso.

Sexta-feira, dia 6 de outubro, tive mais uma demonstração da existência de Deus (para alguns, uma energia, algo sobrenatural, ou…mera coincidência).

Estava na faculdade, cumprindo horário de minha monitoria. Geralmente fico até umas 21h15. Desta vez, resolvi ficar até mais tarde, junto com outros amigos que estavam aguardando o horário da van para irem embora. Quando era 21h50 decidimos sair. Peguei o carro e segui para casa. Na volta, já na esquina de casa, deparo-me com uma gata atropelada, gritando e se debatendo no meio da rua, bem no meio da faixa de pedestre. Por alguma razão que não quero julgar, a pessoa que a atropelou simplesmente seguiu seu caminho, deixando-a lá, talvez para morrer agonizando. Parei o carro no meio da rua, acionei o pisca alerta e corri com ela para a clínica 24h L&M.

Fomos atendidos pelo plantonista que prestou os primeiros socorros. Constatou-se que ela respirava com dificuldade, havia perdido o olho esquerdo, e possivelmente, sua mandíbula estava fraturada. Após os procedimentos padrão, ela ficaria internada. Dias depois, após certa estabilização em seu quadro, conseguimos fazer ultrassom abdominal e raio-x do tórax e do crânio. Felizmente não foi avaliada qualquer fratura no tórax. No entanto, um pneumotorax foi constatado, o que comprimia seu pulmão para respirar. Uma drenagem foi feita para facilitar sua respiração, assim como a retirada de seu olho que fora perdido. Uma semana depois, foi avaliada por uma médica veterinária especialista em odontologia. Um fio de aço foi colocado para tracionar sua mandíbula e auxiliar no fechamento adequado da boca. Após 18 dias, nova cirurgia. Desta vez, para extração de um molar que impedia melhor articulação mandibular.

Tudo isso foi feito em quase um mês. Idas e vindas para leva-la e busca-la aos finais de semana. Tudo para salvar Quintina!

Como bem lembrou minha amiga Thais, quando comentei do ocorrido, “se você não tivesse ficado conosco conversando naquela sexta-feira, talvez não teria visto a gatinha e ela teria morrido”. Mera coincidência? Não acredito.

E não foi apenas isso.

Havia, obviamente, a preocupação de como pagar todo o tratamento – que não ficaria (e não ficou) barato. Eis que Ele mostrou-se presente (para alguns, nova coincidência). Neste mesmo mês, saiu o acordo de uma ação trabalhista; um dinheiro extra que eu não estava esperando. A princípio, iria guarda-lo para investir na nova faculdade de Medicina Veterinária.

Mas o imprevisto se fez presente e, com ele, pude praticamente pagar todo o tratamento de Quintina (a outra parte, felizmente, contei com o apoio e solidariedade de amig@s que doaram e compraram minhas rifas).

Enfim, esses recentes exemplos que cito aqui justificam o motivo de eu – assim como Darwin – não ser ateu. Há outros tantos que vivenciei ao longo dos anos, subsidiando ainda mais minha fé.

Tirando Richard Dawkins, que poderia me ofender por tal relato, espero que você não seja tão intolerante e radical. Afinal, como sempre acreditei, a Ciência explica – e desmistifica/desconstrói – muitas coisas, no entanto, é um tanto quando limitada e incapaz de explicar tantas outras. Para essas, alguns preferem negar o “sobrenatural”; outros preferem acreditar e aceitar. Eu aceitei, sem jamais menosprezar a Ciência e muito menos os ateus!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

 

Em tempo: em função da correria com Quintina – e também da decepção com o atual momento do país e toda a SACANAGEM que anda acontecendo sob nossos olhos, afastei-me um pouco do blog. Mas não me calarei! Assim que possível, novas postagens!

3 comentários sobre “Por que eu não sou ateu?

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