(Des)humanos do século XXI

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Não bastasse o golpe sofrido em nosso país, com a conivência e acovardamento – ou talvez, muito provavelmente, o “rabo preso” – do Supremo Tribunal Federal, agora somos bombardeados com ataques constantes sobre a democrática Venezuela. E a mídia, como sempre, manipulando a massa em suas críticas plantadas e direcionadas.

Tal como o Chile de Salvador Allende, na década de 1970, a crise econômica foi implantada para que a população acreditasse que as políticas socialistas de distribuição de renda, em antítese à lógica capitalista, era algo ruim. No Chile, o cobre. Na Venezuela, o petróleo.

Paralelamente, a elite burguesa estoca produtos e não abastece os centros, causando a farsa de “falta de produtos” para a população. E a mídia oligárquica, mais uma vez, faz seu papel sujo e mostra apenas o lado que lhe convém: “População passa fome na Venezuela”.

Enquanto isso, o chanceler (sic) Aloysio Nunes (PSDB) apoia descaradamente a expulsão da Venezuela do Mercosul. Seu argumento: “é intolerável que nós tenhamos no continente sul-americano uma ditadura. Houve uma ruptura da ordem democrática na Venezuela”. Esquece-se este pulha que ele mesmo, juntamente com seu partido apoiaram e concretizaram o golpe no Brasil?

(Lembremos aqui que isso sempre foi desejo dos EUA: enfraquecer o Brasil e, concomitantemente o Mercosul, em resposta ao crescimento geopolítico do BRICS).

Não gosto de ser pessimista, mas os tempos são obscuros. Em pleno século XXI!

O avanço mundial de pensamentos extremistas, egoístas e voltados aos interesses do capital, é preocupante. Recentemente, o mundo assistiu demonstrações da democracia estadunidense, que permite manifestação de grupos neonazis. No entanto, a manifestação transformou-se em um conflito entre esses “cidadãos de bem” e pessoas que protestavam contra essa ideologia racista e preconceituosa.

Em um mês tivemos demonstrações claras de como essa raiz está se proliferando também em nosso país.

aiatolá irã
Mohsen Araki: aiatolá do Irã

A visita, no final de julho, do aiatolá iraniano Mohsen Araki ao Brasil, autoridade política e religiosa que sempre lutou pela paz e justiça entre as nações, foi criticada por algumas pessoas. Sionistas e xenófobos protestaram contra sua presença em um evento em que pregava justamente a paz e o amor que o islamismo defende. O argumento dos manifestantes era recheado de “informações” tendenciosas, muito aquém dos verdadeiros fatos. Entre as “verdades”, a de que o Irã é uma ameaça à paz mundial – mas esquecem-se de dizer que a verdadeira ameaça é justamente os EUA.

(Cabe aqui uma sábia frase do Araki: “Ninguém atacou os Estados Unidos, mas toda guerra tem dedo americano. Neutralizem os Estados Unidos e vejam como chega a paz. Todos os problemas podem ser resolvidos, se os americanos não interferirem).

sem-teto-sp-1024x683
Moradora sem-teto chora ao ver seus pertences serem queimados debaixo de um viaduto pela Guarda Municipal de João Dória (PSDB). Fonte: causaoperaria.org.br

E não é só isso. O prefake de São Paulo, João Dória, com sua política higienista e desumana, defendendo uma “Cidade Linda”, segue com seus atos preconceituosos e fascistas de afugentar moradores de rua com água e até mesmo tocando fogo em suas moradias e pertences. Exemplos que demonstram a política criminosa que esse sujeito vem adotando contra pessoas miseráveis e de baixa renda.

(Em tempo: Dória até tentou desmentir os fatos, alegando um “descuido” por parte da equipe de limpeza, mas vários moradores comprovaram que foram expulsos com jatos d’água sobre eles)

Isso sem falar os casos de agressões – e mortes! – que seguem alarmantes entre homossexuais, negros, quilombolas, indígenas, assentados e tantos outros. (Mas para que difundir isso na mídia, não é mesmo?)

Seguiremos firmes denunciando esses abusos, desmistificando o contexto único de uma dicotomia partidária, mas que verdadeiramente envolve questões geopolíticas que atendem interesses estrangeiros e capitalistas.

O ataque da direita parece não ter fim. Mas terá, pois não há mal que dure para sempre. E enquanto nossa vitória não for obtida, enquanto não conseguirmos uma sociedade mais igualitária e verdadeiramente humana, jamais desistiremos de lutar.

Afinal, ser de esquerda é isso. Em meio ao LUTO, nasce nosso verbo: LUTAR!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

Anúncios

2 comentários sobre “(Des)humanos do século XXI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s