“Professor Delivery”: mais uma do PSDB!

Por Luiz Fernando Leal Padulla*

Era fim de noite de segunda-feira, já início da madrugada de terça-feira quando recebo pelo WhatsApp a notícia “Prefeitura no interior de SP planeja criar “’Uber do Professor’”. Li a notícia e confesso que quase perdi o sono tamanha afronta à classe trabalhadora dos professores.

Pelo projeto de lei que está em elaboração, docentes sem ligação com o município/vínculo empregatício seriam pagos por aulas avulsas, sempre que houver falta dos professores na rede municipal, hoje administrada pelo tucano Duarte Nogueira – que, quando deputado federal pelo PSDB, é acusado de recebimento de propina do escândalo da “Máfia da Merenda Escolar”. Para isso, um aplicativo, mensagem de celular ou redes sociais acionariam o professor, que teria 30 minutos para aceitar ou não a tarefa, tendo o prazo de 1 uma para chegar à escola; caso não aceite, outro seria chamado.

Pois bem. Muitos podem achar o tal projeto uma alternativa eficaz para tais faltas. No entanto, vejo dois problemas fundamentais: a desvalorização da profissão e os motivos de tais faltas – não entrarei no mérito da constitucionalidade, que seria outro problema.

Para a secretária de Educação, Suelly Villela, o objetivo desse projeto é “solucionar a grave situação de ausências de professores em sala de aula, motivadas por faltas ou licença-saúde, em período inferior a 30 dias”. No entanto, será que essa mesma senhora parou para analisar a causa do problema antes de tentar consertá-lo?

Todos sabemos qual é a visão que os tucanalhas têm sobre a educação: de pouca importância. Peguemos o que os (des)governos de FHC fez pela mesma a nível federal – praticamente nada! – ou ainda o que os (des)governos estaduais de Geraldo Alckmin e Beto Richa pensam a respeito – ao invés de atender às solicitações de reajustes salariais e melhorias nas salas de aula, tratam os professores com balas de borracha e gás de pimenta.

Será que essas licenças não refletem o caos educacional que as gestões do PSDB promoveram? Não podemos deixar de citar aqui que o finado Mário Covas – do PSDB, claro! – avacalhou de vez o ensino com a fatídica “progressão continuada”, desmoralizando de vez o ensino e desvalorizando seus profissionais.

Quantos professores e professoras não estão ausentes por estresse causado pelas más condições que lhes são proporcionadas? Não seria melhor ouvir os docentes e sanar esses problemas ao invés de métodos paliativos?

Além disso, mercantiliza-se de vez a profissão ao convocar um docente sem que este esteja preparado para a aula. Afinal, por mais que um professor domine sua disciplina em grande parte, necessita de preparação para as aulas. De que adiantará “tampar o buraco” da sala, se o ensino não for feito com qualidade? Apenas para enganar pais e alunos e evitar que os mesmos questionem as faltas?

Sendo assim, apesar de não mais lecionar em escolas públicas, deixo registrado aqui minha solidariedade aos colegas de profissão e meu repúdio a essa ideia, torcendo muito para que não seja levada adiante.

Link da matéria: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,prefeitura-de-ribeirao-preto-planeja-criar-uber-do-professor,70001899946

 

*Professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

 

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