Abuso de autoridade: aceitaremos?

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Novamente retomo esse tema porque não temos como não nos mobilizarmos mais.

O que está em jogo em nosso país não é defender partido A ou B, nem político C ou D. O que está sob risco é nossa já combalida e fragilizada democracia. Sim! Vivemos tempos sombrios, com momentos de tensão sob uma política abusiva, antidemocrática, golpista e que cria, a cada movimento, um Estado de exceção.

Temos vários presos políticos sim! Presos sem um julgamento descente e justo, e que abusivamente seguem trancafiados, sofrendo torturas psicológicas até que “revelem” alguma coisa que possa comprometer pessoas do interesse de seus inquisidores.

O recente caso de Léo Pinheiro, é um exemplo. Em 2016 tentou delação premiada, mas como não tinha nada que comprometesse Lula, teve sua negação. Estranhamente, um ano depois, resolveu “entregar” Lula, mesmo que sem provas – pois segundo ele mesmo, “elas foram destruídas”. Ora, quer dizer que acusar sem provas é válido agora? Em que Estado democrático?

Pinheiro: a delação que não foi aceita. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1776913-delacao-de-socio-da-oas-trava-apos-ele-inocentar-lula.shtml

Reforço que sou totalmente a favor das investigações e punições para todos os corruptos e seus corruptores. Mas para que isso seja feito, deve haver JUSTIÇA. Não bastam falatórios e convicções. Devem haver sim as provas.

Caso continuemos a mercê de uma “justiça” como a nossa, com sua representação máxima na República de Curitiba, estaremos alimentando um perigoso caminho sem volta: acusações sem provas e condenações abusivas!

Façamos um breve exercício para entender: de repente, na empresa em que você trabalha, descobrem que muito dinheiro foi desviado. Um de seus colegas – aquele que não gosta de você de jeito nenhum! – logo te acusa. Seu chefe, sem pestanejar, acredita nele e passa a lhe condenar e difamar sua imagem perante os demais. Além da demissão, resolve também processá-lo pelo crime – que você não cometeu. A partir de então, um juiz (amigo de seu patrão), acolhe a decisão e você – inocente – passa a ter que provar que não roubou! Ou seja, culpa-se e condena-se sem provas (ou, juridicamente falando, extingue-se a presunção de inocência, que é previsto no artigo 5º, inciso LVII da Constituição Federal de 1988, o que garante ao acusado um julgamento de forma justa em respeito à dignidade da pessoa humana).

Percebam que o que está em jogo não deve se restringir ao destilar de ódio para com um partido e seus representantes. Nossos direitos constitucionais estão ameaçados com essas arbitrariedades. E novamente, esses juízes, promotores e cia., tentam ludibriar você, caro cidadão(ã), a aprovar as tais “medidas contra a corrupção”. O que não falam, é que em alguns dos pontos, eles acabam excluindo-se das leis – ou seja, serão intocáveis e poderão continuar a exercer seus atos de forma tirânica e inconstitucional. Concomitantemente, insistem em posarem de “pop stars” nas redes sociais, e até mesmo em editoriais de jornais – os mesmos vendidos aos interesses empresariais, e que outrora apoiaram à ditadura de 64, criticaram presidentes progressistas – para tentarem jogar a opinião pública contra a “lei de abuso de autoridade” que tramita no Senado.

O que o tal juiz (?) Sérgio Moro e seus “golden boys” fizeram – e fazem – sabe-se lá a serviço de quem, nada mais é do que uma seleção daqueles que desejam punir sem provas, enquanto fazem vistas grossas para tantos outros que comprovadamente deveriam ser punidos – mas, parafraseando o próprio paladino da moral seletiva, “não vem ao caso”. Moro foi inteligente em usar o momento de polarização partidário/ideológica em nosso país, para plantar a falsa ideia de justiça, recebendo o apoio irracional de pessoas que passaram a odiar o PT e a esquerda – mesmo sem saberem o que é “ser esquerda”.

E para fortalecer ainda mais sua perseguição puramente política, conta com o apoio da grande mídia que desde que surge, tem seus conchavos e parcerias, proliferando a mentira e tendenciosidade. E mais que isso, consegue blindar seus aliados, fazendo com que toda a culpa seja direcionada e propagandeada para seus inimigos.

E enquanto isso, o país e o povo é que sofre. Infelizmente, o Brasil é um país que pouco lê, preferindo (des)informar-se através de telejornais à sites e blogs independentes. E assim, a manipulação em massa se concretiza.

Cabe a nós educadores, usuários das redes sociais, e acima de tudo, cidadãos, combater esse câncer da mentira, da seletividade e da injustiça. Só assim poderemos dizer efetivamente que o gigante acordou!

E para aqueles que pensam que seremos intimidados pelas ameaças, que fique claro: NÃO NOS CALARÃO!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

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