Blitzkrieg à brasileira: aceitaremos?

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Quando as tropas inimigas se movem rapidamente e lançam seus ataques concomitantemente, praticamente não há reação. Aceita-se a derrota.

Longe de ser um admirador dos nazistas, mas as técnicas usadas pelos mesmos, são dignas de respeito. E com base nisso que a direita brasileira achou sua saída.

Começaram com as mentiras, logo após nova derrota nas urnas, para “fazer a cabeça” das pessoas. Hitler e Goebbels eram mestres nisso.

Aqui, muitos se deixaram levar por falácias do MBL, VemPraRua e dos partidos que os abasteciam, como o PSDB, DEM e PMDB. Discursos nacionalistas, patrióticos – e até mesmo religiosos – inflaram os ânimos e arrebanharam inocentes úteis.

E tal como Hitler, a direita no Brasil não pensou no povo, e sim em seus próprios interesses. Na iminência de serem desmascarados pelas investigações apoiadas pela presidenta Dilma – deposta sob uma farsa de impeachment que não se provou crime algum – os falsos moralistas tinham que tomar o poder de qualquer maneira.

E assim fizeram. Começaram a aparelhar o Estado, paralelamente, pagando suas dívidas com empresários e grupos que ajudaram no chamamento às ruas “contra a corrupção”.

Fiesp e CNI recebem sorridentes a aprovação da Lei da Terceirização, que fortalece o patronato e prejudica o empregado. Agora torcem também para que a escandalosa Reforma da Presidência. Enquanto isso, inocentes que apoiaram o “combate a corrupção” são enforcados com a corda que ajudaram a construir.

E para “estancar a sangria”, tal como disse Romero Jucá (e a mídia golpista faz questão de esquecer), nomearam Alexandre Moraes – até então filiado ao PSDB – como o ministro da Justiça, justamente no momento em que a Polícia Federal alçava voos em área tucana. Posteriormente, o mesmo foi nomeado substituto de Teori Zavascki, morto (ou assassinado?) em um acidente (?) aéreo às vésperas de entregar o nome de políticos da oposição de Dilma.

Concomitantemente, chegava à presidência do TSE, ninguém menos que Gilmar Mendes, figura constantemente presente em eventos da direita, e com declarações sempre tendenciosas e partidárias. A mais recente e descarada foi quando alegou que “necessariamente ele [caixa 2] não significa um quadro de abuso de poder econômico”, em virtude das atuais delações que envolviam esse tipo de pagamento para o PSDB. Mas para o PT, Gilmar foi extremamente crítico.

Mas não podemos ser ingênuos e achar que o golpe é apenas algo interno e partidário. Interesses estrangeiros estão nessa trama toda – assim como foi em 1964, em documentos revelados ano passado! Como não poderia deixar de ser, os EUA apoiaram e incitaram o “ódio a esquerda” frente a ameaça aos interesses capitalistas, representados pelo FMI. Com a ascensão do BRICS e seu banco, era a hora de fazerem algo para desestabilizar essa nova força.

Paralelamente, a nomeação imediata de José Serra como ministro das Relações Exteriores, pagou parte desta dívida – denunciada pelo Wikileaks – com a abertura (e entrega) do Pré-Sal e todo o retorno e autonomia que este daria ao país. Após isso, o tucano alega “problemas de saúde” e renuncia ao cargo.

O fato é que em pouco tempo, todas essas maldades contra o Brasil e seus cidadãos foram desencadeadas, sem que parte da sociedade percebesse (e até mesmo admitisse que foi manipulada) que estão pagando o pato.

Enquanto os holofotes da mídia golpista se voltam para “convicções” contra Lula, ignoram fatos contra os verdadeiros corruptos da nação. A mesma mídia que apoia o juiz (sic) Sérgio Moro, propagandeando que é “o salvador da pátria”, mas omite da opinião pública a seletividade e os abusos de autoridade que ele e sua trupe comentem. A mesma mídia que faz desvia a atenção do povo, enquanto políticos destroem a CLT e os direitos dos trabalhadores.

E quando jornalistas sérios e comprometidos com a verdade procuram desmascarar essa farsa chamada Moro, tal como um inquisidor partidário, tenta calá-los com intimidações e até mesmo conduções coercitivas.

A pergunta que faço é: até quando aceitaremos?

Como dizia Zapata, “se não há justiça para o povo, que não haja paz para o governo”. Mais do que mobilizações, precisamos nos organizar em movimentos que intimidem e acuem os golpistas. A ditadura de 1964 só foi derrubada pela pressão popular e por grupos insurgentes, como ALN, POLOP, COLINA, MR-8, VPR, VAR-PALMARES e tantas outros que se UNIRAM contra O GOLPE.

A militância virtual é importante, mas hastags e carinhas no Facebook não farão os golpistas temerem ao povo! Precisamos de atitudes concretas e verdadeiramente intimidadoras! Estão fazendo tudo o que fazem porque não encontram resistência!

Ou derrotamos o golpe e os golpistas, ou seremos nós os derrotados!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

 

 

 

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