A carne faz mal…sua manipulação (e das pessoas) também!

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Pode parecer estranho o que irei escrever neste post. Para alguns, poderá soar como incoerente. Mas mesmo assim, escreverei.

Há algum tempo pretendia escrever sobre minha opção de ser vegetariano. Protelei por um tempo pois outros temas eram mais pertinentes. No entanto, por conta da operação “Carne Fraca”, desencadeada pela Polícia Federal semana passada, eis que chegou o momento.

Há 5 anos tomei a decisão de não comer mais carne – seja ela vermelha, branca, peixe ou de qualquer outro animal. Há 5 anos tornei-me vegetariano – não sou vegano! Quem sabe um dia. Por que fiz isso? Por compaixão aos animais e pelo incômodo que sentia ao ser parte de um sistema abastecedor de grandes latifúndios e contrário a tudo aquilo que defendia em sala de aula. O que ganhei com isso? Consciência leve e vida mais saudável. Sim, minha saúde melhorou significativamente – antes tinha duas fortes gripes por ano, depois desta opção, tive minha primeira gripe razoavelmente forte apenas no começo deste ano. A disposição também é outra. Durmo a mesma quantidade de horas (cerca de 5 horas), mas hoje tenho mais disposição e sinto-me muito menos cansado, apesar da jornada diária tripla (aulas pela manhã, preparo de aulas e estudo de tarde, e faculdade à noite).

Hoje entendo que nosso organismo não é preparado para a dieta carnívora, ao contrário do que sempre tentam nos dizer. Faça uma rápida comparação com o trato digestório de um leão e o nosso: os felinos apresentam um intestino (região do corpo responsável pela absorção dos nutrientes) curto, justamente para que a carne ingerida permaneça menos tempo em contato, evitando assim, a ação de bactérias e organismos patógenos desenvolvidos na carne. Na espécie humana, o mesmo intestino é quatro vezes maior, muito semelhante ao de um animal herbívoro/ruminante. Ou seja, a ingestão de carnes faz com que patógenos fiquem mais tempo alojados em nossos corpos antes de serem eliminados com as fezes e os restos alimentares, e esse tempo maior pode gerar sérios problemas em nosso organismo: diminuindo nossa resistência e imunologia, além de despendermos maior energia para combate desses agentes potencialmente patogênicos.

Não quero aqui, ser um falso moralista e tentar convencê-lx a seguir o mesmo caminho. Sou da opinião de que cada uma tem livre arbítrio para escolher seus próprios caminhos. Além disso, por mais de 30 anos era um carnívoro nato, incapaz de passar uma refeição sem um pedaço de carne no prato.

(Não podemos deixar de falar aqui também, dos riscos que todos – incluindo vegetarianos e veganos – correm quando consomem frutas, legumes e verduras contaminados com agrotóxicos e pesticidas, afinal, o Brasil é o país recordista em uso e abuso desses químicos. A solução? Consumo de produtos orgânicos, certificados e comprometidos com a agricultura familiar e sustentável, e não latifundiária!)

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Marcas associadas aos casos de irregularidades apresentadas pela polícia federal.

Pois bem, poderíamos abrir aqui uma discussão salutar a respeito do vegetarianismo e as evidências evolutivas na espécie humana. E corroborando com tudo isso, o ocorrido na operação “Carne Fraca” também é um prato cheio para os defensores da libertação animal. No entanto, quero chamar a atenção para outro aspecto: a quebra da indústria nacional, o que pode acabar/reduzir drasticamente as exportações de carne brasileira – lembrando que o agronegócio brasileiro é o carro chefe de nossa economia, e a produção e exportação de carne nos coloca nos primeiros lugares do mundo. Breve exemplo. A União Europeia, ao ter conhecimento dos fatos, já emitiu nota dizendo que poderia vetar a exportação de carne brasileira. Se isso acontecer, o prejuízo seria de US$ 15 bilhões/ano.

Há erros nesses frigoríficos? Sim. Há muita coisa por trás destes locais que nem imaginamos? Muito provável que sim. Mas que houve uma espetacularização e generalizações que atingiram proporções mundiais, também não podemos negar. E esse é o maior problema para o país e seus negócios. Dos mais de 5 mil frigoríficos, apenas 21 foram arrolados em irregularidades.

Engraçado (não fosse trágico), com a história se repete…o Golpe de 2016 lembra muito o Golpe de 1964…“pátria, Deus, família” e os “contra a corrupção, e moralistas”…os acontecimentos com a carne brasileira, lembram o que fizeram com nosso café no passado, quando passamos a concorrer na produção e venda do produto final, ou até mesmo pela indústria do álcool combustível, que ameaçou os detentores do monopólio petrolífero…e novamente nos anos 2000, a descoberta do Pré-Sal talvez tenha sido a gota d’água para o alarde dos interesses internacionais…sem esquecer também que estão em nosso solo 98% das reservas de nióbio, este raro e tão desejado minério. Ou seja, tudo o que está acontecendo é “vendido” como uma questão política, mas na verdade, atende a interesses internacionais.

Paralelamente, ao vir à tona essa operação – dizem que já estava preparada há dois anos, mas aguardava momento oportuno – a mídia aloca seus holofotes na “carne com papelão”, enquanto esquece e ignora as mobilizações contra a Reforma da Previdência e a nova lista de Janot (que entrega, mais uma vez, políticos do PSDB, PMDB e cia – os mesmos “moralistas” que eram contra a corrupção e foram a favor do GOLPE). Mera coincidência? Jamais!

Assim, essa farsa chamada “Lava-Jato”, não pode ser lembrada e comemorada como uma operação de combate à corrupção. Fosse esse o verdadeiro sentido, JAMAIS seria seletiva como está sendo, blindando políticos e partidos de acordo com “afinidades e amizades” do juiz (sic) Sérgio Moro.

O que se passa no Brasil, é um GOLPE dos mais bem elaborados, que envolve não uma mera disputa político-partidária, mas questões geopolíticas que extrapolam as fronteiras que jornais e a grande mídia manipuladora tentam nos cercar.

Abramos o olho! O que se vende como “combate à corrupção”, nada mais é do que uma pseudo-operação, sem imparcialidade e qualquer moralidade!

Em tempo: gostaria muito que esse tipo de notícia, que tanto incomodou e alarmou a sociedade, servisse para abrir a mentalidade das pessoas a assumirem uma postura alimentar mais saudável e vegetariana. Mais do que uma opção de vida, ser vegetariano é demonstrar respeito aos demais animais, e a plena preocupação com a sustentabilidade!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

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