CARTA ABERTA AO MBL

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

 

Jamais apoiei o golpe, que alguns insistem em chamar de impeachment.

Estive nas ruas sim, mas defendendo a democracia. Eu e mais de 54,5 milhões de eleitores que tivemos o voto desrespeitado.

Nunca apoiei movimentos que se diziam suprapartidários e/ou apartidários, justamente porque jamais o foram.

Jamais me darei a vergonhosa afirmação de “somos milhões de Cunha”.

O maior exemplo dessa mentira chama-se Movimento Brasil Livre – MBL. Basta lembrar dos áudios denunciando financiamento de partidos (como o PSDB, DEM e PMDB) para tais movimentos – dizem, inclusive, que houve até financiamento estrangeiro, do qual não duvido.

 

Ou ainda, a “carona” que algumas de suas lideranças pegaram para eleições municipais, mesmo sem qualquer conhecimento e postura política.

Esses mesmos movimentos e seus representantes, do nada, sumiram. Aqueles que outrora diziam-se patriotas e contra a corrupção, convocando panelaços, buzinaços e desfiles pomposos na avenida Paulista em tardes dominicais, agora silenciam-se.

Um silencio ensurdecedor.

O mesmo MBL, que vazou os dados sigilosos do ministro Teori Zavascki – morto sob circunstâncias sinistras – e incitou a população a pressionar o falecido ministro e sua família, em típica atitude fascistóide, agora nada faz quando vê o ilegítimo presidente Michel Temer nomear Moreira Franco como seu ministro, em clara tentativa de obter foro privilegiado e assim, fugir das investigações por corrupção.

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Mas afinal, não eram vocês que se levantaram rápida e ostensivamente quando Dilma tentou nomear Lula seu ministro, acusando-o de fugir da justiça? Por que não fazem o mesmo? Conivência?

Por que, por sinal, não se mostram valentes e patriotas, com o mesmo ímpeto que tiveram contra a legítima presidenta Dilma Rousseff, e pedem a destituição de Temer? Afinal, contra ele pesam várias delações, provas e mais provas de corrupção. Não eram contra a corrupção? Não queriam um país passado a limpo?

E assim sendo, mostrem-se coerentes e peçam também a cabeça de José Serra, Aécio Neves, Ronaldo Caiado, Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin, Paulo Skaf e cia. Ou as propinas para seus “amigos” não contam? Possuem senso de moralismo seletivo e partidário?

Este é o momento de provar para aqueles que foram às ruas contra a corrupção, que não foram enganados e meramente manipulados por uma farsa chamada MBL.

Afinal, quem cala, consente.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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