A doença e o remédio

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Em função dos acontecimentos políticos que têm assolado nosso país, acabei por priorizar postagens no blog diretamente sobre tais fatos. No entanto, quero aqui registrar também um sério acontecimento que está sendo esquecido: a compra da Monsanto pela Bayer.

Falei muito sobre isso nas aulas e palestras que apresentei recentemente, mas faço questão de escrever um post para que possa ser compartilhado e, acima de tudo, denunciado.

(Faço o convite para a leitura dos posts “Os casos envolvendo a Monsanto e outras corporações” e “O veneno continua sobre a mesa…” que mostram o outro lado envolvendo as corporações e toda a sujeira que nem sempre temos acesso pela mídia. Vale a pena!)

Não entrarei em detalhes técnicos e burocráticos, pois esse não é o foco. Quero apenas alertar para o que nos aguarda em se confirmando esse absurdo – o que está prestes a acontecer.

A Bayer, maior empresa farmacêutica e química alemã, compra por US$ 57 bilhões a Monsanto, a maior empresa de agricultura e biotecnologia, sendo líder na produção de sementes geneticamente modificadas (os chamados transgênicos).

A preocupação – pertinente – que estão repercutindo, é a concentração no mercado do agronegócio, uma vez que as duas corporações juntas, poderão responder por mais de 30% dos negócios na produção mundial de culturas agrícolas. Assim sendo, um novo monopólio das cadeias de produção será instalado, e os produtores – principalmente os pequenos produtores – serão os mais afetados, sendo obrigados a pagar preços mais altos por sementes e produtos, inviabilizando a sustentabilidade – talvez seja esse o interesse dessas corporações.

No entanto, envolve um aspecto talvez ainda mais preocupante e pouco falado: doenças e remédios.

É sabido que o uso dos chamados “defensivos agrícolas” (ou, como tentam esconder dado o aspecto negativo, agrotóxicos), assim como o consumo plantas e produtos transgênicos, são responsáveis por grande parte das doenças e alergias alimentares, tanto nos produtores como nos consumidores. E uma vez doentes, recorrem aos remédios. Pois bem. A Monsanto uma das maiores produtoras de agrotóxicos e de sementes transgênicas. E a Bayer, a maior produtora de remédios. Bingo!

bayermonsanto3

Um esquema altamente lucrativo e sustentável para seus donos: produzem as doenças, e vendem os remédios!

(Lembremos: o Brasil é o país que usa de agrotóxicos no mundo!)

É claro que esse argumento jamais será defendido e exposto pelos chefões das empresas. O que dizem é que estão preocupados com as pessoas, e alegam que essa fusão aumentará a produtividade alimentar para suprir a necessidade mundial.

(Cabe aqui um parêntese: não há déficit alimentar no mundo. O que há é a má – e proposital – distribuição desses alimentos, uma vez que os grandes produtores pensam única e exclusivamente no lucro. Quantas vezes não vimos produções de tomate, leite e tantos outros produtos sendo jogados fora porque o preço da venda “não compensava”?)

Assim sendo, perante tantos acontecimentos, não podemos esquecer de mais essa manipulação que estão tentando fazer. Afinal, o que está em jogo é a saúde e a sobrevivência de cada um de nós.

Não se engane: se é Bayer (e Monsanto)…não é bom!

Em tempo: Os oito homens mais ricos do mundo possuem tanta riqueza quanto metade da população do planeta (ou seja, mais de 3,6 bilhões de pessoas). E há quem diga que o capitalismo é o melhor sistema…

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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2 comentários sobre “A doença e o remédio

  1. Padulla,

    Diante desta postagem sei que podemos aguardar um ótimo texto acerca da Operação “A Carne é Fraca”.
    Aguardo ansiosamente a sua reflexão sobre o assunto tanto no ponto de vista da saúde humana, quanto no meio de conduta das investigações “preguiçosas”. E, é claro, a quem (ou a quais países) – exatamente – toda a exposição midiática está atendendo.

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