Sociedade doente? Não.

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Não, a sociedade não está doente.

Patriotas que se mostravam revoltadíssimos com os casos de corrupção, de repente somem me aceitam todo tipo de lesa-pátria. Tudo sem um único pio – ou, mais adequadamente, um quá-quá. Amnésia?

Os mesmos que queriam melhoras no país, se omitem quando tudo piora. E parecem não se importar. Esquizofrenia?

Uma sociedade que se dizia contra o aborto e defensora da vida, destila seu ódio e incita descaradamente a violência. Bipolaridade?

As mesmas pessoas que se diziam a favor das famílias, comemoram as mortes em chacinas e rebeliões, ignorando o sentimento de familiares. Afinal, “bandido bom, é bandido morto”. Delírio?

Deputados, representantes do povo no Congresso e nas Assembleias, usam seus cargos para defender abusos e a morte de pessoas.”. E ainda golfam absurdos, dizendo que presidiários têm “o direito de não ter direitos”.

roger

O choro e a reza desesperados de uma mãe, em frente a um dos presídios, é chacotado por um pseudointelectual e roqueiro, que ironiza dizendo que ela “deveria tê-lo educado antes. Ou não ter filhos”.

Não estou aqui “defendendo bandido”, como alguns adoram retrucar. Presos não o são por pura opção – ninguém escolhe ser bandido. São, antes de mais nada, frutos de uma sociedade injusta, desigual.

A questão que deve ser analisada é mais profunda: a falta de empatia em nossa sociedade. Quando foi que nos tornamos tão egoístas, a ponto de não conseguir se projetar no outro, sentir sua dor e suas necessidades? Ao invés disso, isolam-se em um ego, por trás de uma tela e publicam barbaridades.

major

E os retrocessos em nosso país, com as medidas impostas pelo governo ilegítimo? Por que não se erguem vozes, panelaços e buzinaços? Vergonha por terem sido manipulados e enganados?

Por incrível que pareça, o atual momento não é o fundo do posso. Com tais medidas, abusos de autoridades e uma política econômica que visa claramente atender os interesses da elite burguesa, estamos caminhando para dias mais conturbados.

O afloramento desses discursos nazifascistas, ultraconservadores é a grande ameaça à democracia – se é que ela ainda existe em nosso país – e à nossa coletividade.

Mais do que agir e lutar por nossos direitos, todos devem repensar o que é viver em sociedade. A desconstrução do indivíduo se faz necessária, e urgente.

Com todos esses acontecimentos, posso afirmar se medo de errar que a sociedade não está doente, afinal, doença tem cura. Ela está é louca!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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