Propaganda enganosa

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

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Terminei a leitura do livro “A Desordem Mundial”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira. Um excelente livro, que aborda desde os tempos mais remotos da história, até a atual situação mundial.

Ao lê-lo, só se confirma aquilo que nós, esquerdistas, estamos acostumados a ver: a propaganda positiva e defensora dos EUA.

Vejamos nossa cultura ocidental. Totalmente influencia pelos EUA. Desde os noticiários na TV, revistas e jornais, até os filmes hollywoodianos, que mostram os EUA e sua gente (policiais, soldados, lutadores, atletas) como exemplos de superação e heroísmo.

Lembram do soldado Rambo, o herói solitário, combatendo os russos e vietnamitas? E de Rocky Balboa, superando todas suas dificuldades e derrotando o lutador soviético Ivan Drago? E neste caso, o lutador comunista tratado como alguém inescrupuloso e frio, que matou o amigo de Balboa. Não bastasse isso, ainda é estereotipado como um atleta que usa de substâncias dopantes para seu rendimento.

Nessa época, por sinal, filmes com esse contexto e propaganda política dominaram a imaginação pública – que, de forma indireta, era manipulada a defender os interesses capitalistas em plena guerra fria. Em resumo, era o bem (EUA) contra o mal (URSS).

As constantes e atuais intervenções ianques, com apoio da OTAN, em países orientais sob a falsa alegação de “defesa da democracia”, é o exemplo mais claro dessa tentativa de manutenção do domínio. Foi assim na Líbia, Iraque, Afeganistão, Síria.

Paralelamente, deturpa-se constantemente os países e os povos que se levantam contra essa hegemonia. Lembremos dos embargos contra Cuba, que visou única e exclusivamente aniquilar seu povo e seu regime, para “provar” que o socialismo levava ao caos. Mas, na verdade, escondem os reais motivos de tudo isso.

Outro aspecto omitido refere-se ao desejo dos russos pelo retorno do regime socialista, após experimentarem o tão “perfeito e maravilhoso capitalismo”. Na enquete realizada pelo Centro de Pesquisa da Opinião Pública Russo, 60% das pessoas desejam a volta da URSS.

O constante crescimento de países contrários ao domínio ianque, assim como a consciência das pessoas que o capitalismo é um sistema excludente e que promovem a desigualdade, tem assustado os EUA. A ameaça é real. O surgimento do BRICS e seu banco, servindo como contra-balança ao FMI/EUA, ligou o sinal vermelho, fazendo-os agir.

Na tentativa de desestabilizar e fazer ruir essa nova força mundial – não mais ocidental – novas guerras e tentativa de culpa os russos, jogando a opinião pública contra os mesmos. Apoiados pela OTAN e países europeus, tentam até hoje acabar com o ressurgimento da Rússia como potência mundial, liderada pelo presidente Vladimir Putin.

O livro denuncia bem todas essas tramas geopolíticas, tudo muito bem documentado, com testemunhas e fatos omitidos propositadamente pela mídia – esta, por sinal, com raízes fincadas aos interesses dos EUA.

A questão palestina, nem sempre valorizada pela mídia – e muitas vezes tratando os palestinos como os agentes do caos e dos conflitos – , também é amplamente abordada, denunciando todo o plano ianque de assassinar suas lideranças – como fizeram com Yasser Arafat – e apoiar aqueles que lhes interessavam pelo apoio financeiro: os assassinos sionistas de Israel – neste caso, o lobby judaico feito pelo American-Israeli Public Affairs Committee (AIPAC) aos congressistas dos EUA, que ao mesmo tempo, oferece ajuda financeira a Israel, tornando-o uma das forças armadas mais sofisticadas do mundo e, paralelamente, abastece os cofres da indústria de armamentos.

Destaco aqui dois trechos do livro, que descrevem bem como age a política intervencionista dos EUA:

E o fato foi que os Estados Unidos não somente buscaram no exterior (…) regimes que não convinham aos seus interesses econômicos e geopolíticos, como procriaram os próprios monstros – CIA, OTAN, etc., atores responsáveis pelos mais sangrentos fiascos e catástrofes humanitárias na Eurásia, No Oriente Médio e na África (…). ”

A criação do CIPS (China International Payment System) pela China, como alternativa para a SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), conjugada com iniciativa similar da Rússia, o estabelecimento do Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB) e do New Development Bank, em sociedade com o Brasil, Rússia, Índia, África do sul, tendiam a quebrantar a preeminência de Wall Street, o que implicava aluir a hegemonia dos Estados Unidos, exercida por meio do dólar, como única moeda de reserva internacional, e da expansão da máquina militar da OTAN, com que subordinava a União Europeia e outros países aos seus interesses econômicos e políticos”.

E não pensem que a atual conjuntura brasileira fica de fora. O Brasil, um dos alicerces do BRICS, foi recente alvo dessa investida golpista. Os tais movimentos “apartidários”, como o MBL, são suspeitíssimos e muito provavelmente estão angariados por financiamento escuso e de capital estrangeiro – tal como foi feito no golpe militar de 1964, financiado pela CIA e pelo dinheiro de Washington. Outros países da América Latina, como Bolívia, Venezuela, Argentina, Paraguai também foram e são vítimas da sabotagem imperialista.

(Sobre a Venezuela, veja: https://biologosocialista.wordpress.com/2016/02/24/o-brasil-e-uma-venezuela)

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José Serra (PSDB): atuando contra seu próprio país. (Crédito: revistaforum.com.br)

O alvo brasileiro se justifica por pelo menos três motivos: o alinhamento com a Rússia e seus aliados – China, Índia, África do Sul; as reservas petrolíferas do Pré-Sal – cujos valores estariam por volta de 10 trilhões de dólares; e as reservas de nióbio – metal de grande interesse pelas indústrias aeroespacial, bélica e nuclear, sendo o Brasil detentor de 98% das reservas desse metal.

Vale lembrar aqui que, em 2009, o WikiLeaks denunciou a insatisfação dos EUA com a exclusividade da Petrobrás em explorar o Pré-Sal. O então pré-candidato à presidência, José Serra (PSDB), teria prometido reverter esse projeto – e o fez, não como presidente, mas agora como ministro de Relações Exteriores do governo golpista de Michel Temer. Já em 2010, o mesmo site apresentou documento secreto do Departamento de Estado americano, afirmando que as minas brasileiras de reserva de nióbio estavam incluídas na lista de locais estratégicos e imprescindíveis aos EUA.

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Ayalde: golpista profissional dos EUA.

(Cabe aqui uma “coincidência”: a embaixadora dos EUA que esteve no Brasil, no início dos movimentos pró-impeachment, Liliana Ayalde, foi a mesma que esteve presente no Paraguai antes do golpe contra o presidente Fernando Lugo. Documentos do Wikileaks mostram que, através desta embaixadora, foram despejados milhões de dólares em empresas por meio da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e ONGs. Assim, o surgimento de tais movimentos como a farsa MBL, VemPraRua e cia., podem ter sido claramente patrocinadas pelos EUA para atendimento de seus interesses).

E hoje, apesar de uma iminente nova Guerra Fria – se não vier algo mais sério pela frente –, seguimos sendo bombardeados por essa propaganda imperialista, que defendem o consumo desenfreado, o capital, as privatizações.

Observe seu dia a dia. Roupas “de marca” com escritos ianques, bandeiras dos EUA incrustadas nas mesmas, o chamamento para o consumo desenfreado de bens supérfluos e, claro, a visão deturpada de que os EUA ainda é o melhor lugar do mundo.

Já falei sobre a questão dos mendigos e da pobreza neste país (Aqui: https://biologosocialista.wordpress.com/2016/01/12/eua-e-o-bolsa-familia/), onde mais de 12 milhões de crianças estão à beira da fome e 80% de sua população vive próximo a pobreza ou abaixo da linha da miséria. Mas isso não é mostrado, e dá-se espaço apenas a ideia errática de que o capitalismo é o melhor caminho e com ele, tudo é perfeito!

No entanto, com as redes sociais, a mentira proliferada pelas mídias – principalmente as impressas – tem sido mais difícil de ser engolida. Blogs independentes, sem financiamento de empresas e corporações, são os mais seguros para nossa verdadeira informação.

(Para se ter uma ideia, no Brasil, 72% da população lê notícias pelas mídias sociais. Em Portugal, são 67% das pessoas. Nos EUA, pesquisas mostram que apenas 5% das pessoas de entre 18 e 29 anos afirmou ler jornais impressos. Por outro lado, o preocupante nisso tudo é a manipulação que tem sido feita nas redes sociais, justamente com a dispersão de notícias falsas e tendenciosas. Levantamento feito pela Digital Context Next, em 2016, mostra que 43% das pessoas que leem pelas redes sociais, não sabem a origem da notícia. Pensando nisso, no final do ano passado, o Facebook anunciou que adotará nova ferramenta que indicará quando uma notícia for falsa. Enquanto isso, compete a cada um de nós tomarmos cuidado com aquilo que nos é repassado e, principalmente, com o que compartilhamos).

Assim sendo, não se engane. Estamos à beira do caos. E este, tendo como principal culpado o disseminador do verdadeiro ódio, das desgraças e das mentiras: os Estados Unidos.

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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