Bebês e os campos mórficos

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Não sei se vocês já ouviram falar na teoria dos campos mórficos – também conhecida como ressonância mórfica –, postulada pelo biólogo britânico Rupert Sheldrake. Ela consiste, a grosso modo falando, na capacidade de se “acumular” aprendizados em uma determinada população e, a cada nova geração, o aprendizado seria mais facilmente passado entre os indivíduos.

É ele também que postula a ideia da “mente estendida”, que iria além do cérebro e, consequentemente, os estudos no conceito da “sensação de estar sendo observado”. Ou, em português direto, o que seria a telepatia.

(E aí entramos em um aspecto crítico da ciência: a ausência de provas concretas. Nessas horas gosto de lembrar uma frase de Carl Sagan: “a ausência de evidências, não é a evidência de ausências”. Tudo muito chocante sob o ponto de vista convencional da ciência, que impõem que as leis da natureza são fixas e que a memória se restringe única e exclusivamente no cérebro. Mas, como bem diz o biólogo britânico, “…estou cada vez mais convencido de que a ciência perdeu muito do seu vigor, da sua vitalidade e da sua curiosidade. Ideologia dogmática, conformidade calcada no medo e inércia institucional estão inibindo a criatividade científica”).

Discussões à parte, escolho esse post para que seja refletido sobre essa nova visão científica.

Ouvindo conversas de duas mães no colégio – uma recente, de primeira viagem –, diziam:

– Coloquei o mobile para ela (filha) olhar, achando que ia demorar para ela esticar e querer pegar, mas quando olhei, ela já estava tentando alcançar.

– Você vai ver então quando tiver outro filho. O primeiro que eu tive parece que demorou para se soltar. Já o irmão dele, conseguia fazer as coisas que o mais velho fez, muito mais precocemente.

Chamou-me a atenção dois pontos: os irmãos que teriam se influenciado, e a influência populacional no aprendizado da bebezinha.

E o que dizer de cachorros? Filhotes recém-chegados em uma casa, “pegam” mais rapidamente os hábitos e costumes de seus irmãos. Tal aprendizado não seria uma explicação da ressonância mórfica?

Outro exemplo que podemos citar é a diferença entre o comportamento de animais. Animais cativos se desenvolvem melhor em alguns aspectos do que os selvagens. Mera adaptação? Ou adaptação influenciada pelos campos?  Estaria o processo de domesticação relacionado à ressonância mórfica?

Evolutivamente, a própria espécie humana “aprende cada vez mais rápido”, a cada nova geração. Seria apenas atuação da seleção natural, ou esta também seria influenciada pela ressonância mórfica?

Quantas vezes nos surpreendemos com o grau de “esperteza” de nossas crianças? Estaria aqui a explicação?

Tal como foi dito no início deste post, pela ciência dogmática e “engessada” que temos, tal teoria carece de dados para ser aceita. No entanto, estaríamos certos em negá-la, assim como os fatos?

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

Em tempo: quem se interessou pelo assunto, recomendo a leitura de dois livros interessantíssimos do autor:

– “Cães Que Sabem Quando Seus Donos Estão Chegando” (Objetiva, Rio de Janeiro, 2000)

– “A Sensação de Estar Sendo Observado” (Cultrix, São Paulo, 2004)

Website: http://www.sheldrake.org

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