O golpe da mídia e o PSDB

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

É curioso como a mídia ainda faz a cabeça das pessoas. Em pleno século XXI, muitos aceitam tranquila e passivamente aquilo que lhes é apresentado de forma mastigada. Não há qualquer tipo de contra argumentação e/ou crítica. Simplesmente aceita-se. As notícias dos jornais, e até memes e vídeos na internet.

Recentemente viralizou nas redes sociais um vídeo de “sírios” fazendo declarações emocionadas e pedindo ajuda, uma vez que o governo de Bashar Al-Assad estaria bombardeando Alepo e que este “é o último vídeo que gravo porque vou morrer”. Muitos compartilharam e acreditaram naquela mentira. Poucos, no entanto, se atentaram que era um vídeo fake, cujos atores nada mais são do que os verdadeiros terroristas financiados pelos EUA, Arábia Saudita, Turquia e cia, que vendo Síria retomar o comando daquela cidade estratégica, apelaram para a comoção pública.

Não estou dizendo que não há mortes e abusos em Alepo – sim, elas existem e devem ser denunciadas. O que chamo atenção é pelo modo como as informações são deturpadas e manipuladas, sempre em atendimento aos interesses financeiros e geopolíticos de alguns. (maiores detalhes sobre Alepo podem – e devem – ser vistas aqui: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/45956/aleppo+questione+antes+de+compartilhar.shtml)

No Brasil, o mesmo acontece.

Cito um pequeno exemplo e seu efeito nas pessoas. Em minha cidade, o tradicional jornal “O Liberal” omite informações que comprometam membros e políticos do PSDB, enquanto destacam em manchetes negativistas tudo o que envolve os partidos de esquerda. No próprio espaço destinado aos colaboradores, quando apresentam críticas aos tucanos – principalmente aqueles que doutrinam na cidade – os artigos são descaradamente censurados. Enquanto isso, abrem espaço para outros tantos que escrevem absurdos sobre a esquerda, sem qualquer tipo de retaliação – chegam até a publicar mentiras descaradas, alegando ser “responsabilidade dos autores”. O lema “compromisso com a verdade” foi deixado de lado há tempos…assim como a imparcialidade.

(O auge do puxa-saquismo foi uma matéria, em pleno domingo, com direito a destaque na primeira página e outra inteira no corpo do jornal, elogiando os 40 anos de mandato de um deputado federal da cidade – seria para tanto? Detalhe: o mesmo deputado que apoiou outras tantas vezes o prefeito Diego De Nadai (PSDB) que acabou com a cidade. Em seu clã, já lançou seus filhos para a política, sendo um deles vereador da cidade – sem qualquer conhecimento da cidade – e o outro deputado estadual, apoiador de Alckmin e dos mafiosos da merenda. Todos do PSDB).

O que querem com isso? Fácil de entender. Omitir verdades e proliferar boatos, fazendo a cabeça das pessoas. A velha tática nazista defendida pelo Ministro da Propaganda Alemã, Joseph Goebbels: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Em Americana deu certo demais. Mesmo sendo hoje uma cidade degrada, – por culpa das duas gestões anteriores do ex-prefeito do PSDB – com rombo histórico e dívida pública absurda, os eleitores acreditam que estamos como estamos por culpa…da Dilma e do PT! Isso porque as notícias locais só apontam para essa direção, blindando o tucanato. A prova do efeito na “massa de manobra” foram os resultados da última eleição. O atual prefeito, apoiado pelo PSDB – e tendo seu vice um tucano – foi eleito por mais de 70% dos votos, assim como a bancada da Câmara, que ignorou os trabalhos de vereadores petistas e foi renovada…por tucanalhas e outros representantes da direita – um deles, inclusive, bancado pelo MBL e seus financiamentos suspeitos.

O mesmo vale para o contexto geral em nosso país. Com todo o trabalho sujo e direcionado da mídia, pessoas sem o mínimo de discernimento acreditam que a corrupção começou no governo do PT, que Lula é dono de um sítio em Atibaia e de um tríplex no Guarujá. Para essa gente, o PSDB segue sendo ilibado e seus representantes defendem a democracia e os interesses do povo; FHC foi o melhor presidente do Brasil, e por aí vai.

Há no Brasil sete grupos que controlam a mídia, sendo a maior delas o Grupo Globo – é também a Rede Globo de Televisão a segunda maior do mundo, sendo assistida por mais de 200 milhões de pessoas diariamente. Sabe-se que desde os tempos da famigerada ditadura de 64, a mídia é formadora de opinião…de acordo com aquilo que lhe interessa. A Rede Globo talvez seja o exemplo mais sórdido. Seu apoio ao golpe militar teve o interesse em se consolidar através de meios escusos, como grande potencial nacional.

Vale lembrar aqui que é vedada pela Constituição Federal, em seu Artigo 54, a sociedade e/ou associação de empresas concessionárias do serviço público de radiodifusão. No entanto, sempre “dão um jeitinho” para que tenham favorecimento político – o que inclui a venda de suas participações para parentes e amigos. Alguns exemplos conhecidos desses mais de 40 atuais deputados federais e senadores conhecidos como “coronéis da mídia” são: Fernando Collor, Eduardo Cunha, Agripino Maia, Tasso Jereissati e Aécio Neves.

Fazendo o uso dos meios de comunicação de forma parcial, projeta-se a opinião pública de acordo com seus interesses e cria-se a polarização da própria sociedade, promovendo inclusive, o acirramento das lutas de classe. E por trás dessa mídia, encontram-se os verdadeiros interessados: políticos e seus partidos, que na maioria das vezes atendem a interesses e capitais estrangeiros.

(Lembro aqui do Ministro ilegítimo das Relações Exteriores, José Serra – PSDB – e sua dívida com os EUA em abrir o Pré-Sal, conforme denunciado pela WikiLeaks. Logo que o golpe foi consumado, sua primeira atitude foi justamente essa. A Chevron e a ExxonMobil, ligadas diretamente aos irmãos Rockefeller e seu monopólio energético, agradeceram).

Faltou ao governo Lula a tal necessária redemocratização das mídias. Dilma também poderia ter avançado mais, além do veto que o Ministério Público Federal conseguiu através da Ação Penal 530. Hoje, no entanto, o presidente ilegítimo, Michel Temer, já recorre ao Supremo Tribunal Federal para derrubar tais ações.

Enquanto isso, se continuarmos abastecendo essas mídias políticas/partidárias, todo fato será manipulado e nem sempre a verdade virá à tona. Caso contrário, continuaremos achando que privatizar a Petrobrás e entregar a trilionária reserva do Pré-Sal é uma ótima ideia; que congelar os investimentos em saúde e educação por 20 anos é a única alternativa; que os acordos com o patrão são melhores do que a CLT; que os juízes e promotores públicos podem cometer qualquer tipo de crime sem que sejam culpados e punidos por isso; continuaremos achando que que Sérgio Moro e cia. são heróis.

Ou ainda, não teremos conhecimento de certos helicópteros de políticos do PSDB com meia tonelada de cocaína; muito menos que fim trágico levou o policial civil Lucas Arcanjo que denunciava um certo senador do PSDB por tráfico internacional de drogas e outras coisas mais…Afinal, parafraseando o paladino da moral, Sérgio Moro, “isso não vem ao caso”.

Já dizia Brizola: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem… Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!”. Hoje podemos expandir essa reflexão também para as demais grandes mídias.

Sempre que vir uma informação, desconfie!

Em tempo: Por falar em jornal e mídias impressas, vale lembrar também do apoio que os mesmos, juntamente com algumas revistas, tiveram no golpe de 2016: Civita (Ed. Abril), Frias (Folha de S. Paulo), Mesquita (Estado de S. Paulo). O apoio teve sua recompensa: Temer aumentou a verba dirigida a esses veículos de comunicação, salvando-os do vermelho, ao mesmo tempo que cortou as verbas de patrocínio das mídias independentes.

(Entendem agora as capas tendenciosas contra Dilma, quase que semanalmente? Percebem como proliferam o ódio para a manipulação do povo?)

Fizeram o que fizeram e conseguiram o que queriam. Derrubaram a presidenta legítima, sem qualquer crime cometido, e perpetuaram sua “boquinha“. E você, caro cidadão que apoiou o “Fora Dilma”, o que tem a dizer?

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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