Zoológicos: cobrar ingresso ou não?

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Semana passada a prefeitura de Americana (SP) noticiou que o Parque Ecológico da cidade passará a cobrar o ingresso das pessoas – até então, gratuitos.

Houve muita discussão a respeito dessa atitude. Gente contra, gente a favor. Nas redes sociais, a visão geralmente capitalista e financeira era o que predominava.

Quem era contra, alegava que era uma das únicas “opções de lazer” para as pessoas da cidade. Quem defendia a cobrança, dizia que isso iria ajudar a manter o parque e cuidar melhor dos animais. Pois bem.

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Fonte: http://liberal.com.br/cidades/americana/camara-aprova-cobranca-de-ingresso-r-4-para-o-parque-ecologico-489360/

Para começo de conversa, temos que acabar com essa ideia arcaica de que zoológicos são locais de lazer. Em pleno século XXI, manter animais em cativeiro, sob condições nada naturais, em recintos diminutos, para mera exposição ao público, é algo totalmente contrário ao bem-estar animal. São vários os estudos científicos – sérios – que comprovam o dano à saúde física e mental dos animais que são obrigados a sobreviver nesses centros de tortura.

O velho argumento, usado sempre como premissa por quem defende os zoológicos é que “eles acolhem animais vítimas de maus-tratos e provenientes de tráfico”. Fosse essa a regra, ótimo. No entanto, esquecem-se que nesses locais há muito interesse financeiro envolvendo a reprodução de espécies e até mesmo as tais “permutas” – que em muitos casos pode ser entendida como tráfico de animais.

A solução para o acolhimento de animais vítimas de maus-tratos e apreensões é válida, desde que mantidas condições mínimas necessárias para suas vivências, o que inclui áreas maiores e mais adequadas, a começar pelo fim da visitação pública.

A retórica de “reprodução para fins de reintrodução” também cai por terra quando se analisa quantos desses animais que são reproduzidos em cativeiro são realmente incorporados em planos de manejo para colocação em habitat natural. Em sua esmagadora maioria, são usados como moedas de troca. Qual o nosso direito – e responsabilidade – em usá-los como meros objetos, tirando-os de seus pais?

E o que dizer da “educação ambiental”? Será mesmo que crianças são educadas ao verem animais sofrendo em condições inóspitas? Seria eficiente?

Além disso tudo, não vejo tais cobranças como solução para os problemas do parque. Uma administração competente dos recursos públicos seria a solução. Mais recursos entrando em um órgão público, maior a chance de haver desvios e corrupção.

No entanto, acima de ser legal ou não a cobrança, devemos nos atentar o centro da questão: o bem-estar desses animais.

Cobrando ou não, exerça sua racionalidade e diga não aos zoológicos. Somente quando todos se unirem para acabar com essa exploração é que teremos sucesso. Não visite os zoológicos – gratuitos ou pagos. Não seja cúmplice desta barbárie. Os animais que ali estão, não merecem tamanho sofrimento.

A mudança que tanto desejamos, começa pelas ações de cada um de nós.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação.

 

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