Rivais sim, inimigos não

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

A repercussão do trágico acidente aéreo envolvendo o time da Chapecoense foi mundial. Nas redes sociais a hashtag “#ForçaChape” dominou. Mensagens de conforto e solidariedade vieram desde times de futebol, até presidentes e do próprio Papa Francisco. E quando nos sentimos fracos, tudo isso nos fortaleceu.

A dor que acometeu – e persistirá por muito tempo ainda – os familiares e amigos é indescritível. Só o tempo para cicatrizar tamanha ferida. A comoção acalentou um pouco mais esses corações. Não teve quem não se mobilizou através de preces e orações. Seja no Brasil, ou mundo afora.

No entanto, faço questão de registrar neste post, a atitude emocionante que tomou conta dentro e fora do estádio Atanasio Girardor, em Medellín, palco onde seria realizada a primeira partida da final da Copa Sul-Americana.

No dia e horário que o jogo ocorreria, o estádio lotado mesmo sem a partida de futebol. No grande círculo do gramado, flores brancas e uma fita negra enlutando o momento. Dentro – e fora – do estádio, torcedores do Atlético Nacional, tomaram as arquibancadas e entoaram gritos de apoio ao time brasileiro. Junto desses, tremulavam bandeiras em meio às velas e flores brancas que posteriormente foram jogadas no gramado.

O ato de grandiosidade e generosidade não parou por aí. O clube não pensou duas vezes e solicitou à Conmebol que desse o título à Chapecoense. Atitude nobre, louvável!

Em meio as faixas e bandeiras, uma chamou minha atenção, mostrando a humanidade e como o futebol, tão malvisto ultimamente em meio a escândalos de corrupção, ainda pode sim ser um mecanismo de união dos povos. Com a frase “uma nova família nasce”, e toda a mobilização daqueles pessoas que mostraram carinho e solidariedade, foi como se o tempo parasse e tudo se tornasse luz.

Estávamos precisando disso. Não só nós, brasileiros, mas o mundo. Em meio a tantas notícias ruins e desesperança, esse nobre gesto nos permitiu ainda acreditar na humanidade. Como é gratificante poder ver além de camisas rivais e enxergar os humanos que as vestem! Rivais, e não inimigos. Foi emocionante, a ponto de muitos – incluindo eu – derramarem lágrimas.

Em meio ao caos social que vivemos, com pessoas matando e morrendo por coisas tão pequenas – o que inclui mortes em jogos de futebol – o gesto do povo colombiano acalentou nossos entristecidos corações. Quando, em nossa sociedade doente e egoísta, imaginaríamos isso? Em tempos de Trump, Temer, Aécio, PSDB, atentados terroristas, corrupção e todas as maldades contra o povo, essa tragédia nos trouxe momentos de conforto e, repito, de esperança.

Não quero ser piegas, mas nossos hermanos foram fantásticos e nos surpreenderam com tamanha demonstração da verdadeira força que é o amor. Juro que tentei, mas não chegarei nem perto de descrever o que foi vê-los ontem, ao vivo pela televisão, dando essa demonstração de humanidade.

Aos nossos amigos colombianos, meu muito obrigado!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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