O menosprezo e os “moralistas”

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

A tentativa de menosprezar as ocupações das escolas e universidades, é a demonstração clara do medo. Medo que parte de uma sociedade arrogante e prepotente. Medo de reconhecerem que esses jovens são os verdadeiros brasileiros que lutam pelo país. Mais que jovens, cidadãos!

Novamente apoiada e amparada pela grande mídia golpista, essa parte da sociedade trata os legítimos movimentos como “invasão”, com seu tom pejorativo e agressivo. Lembro aqui que o próprio Ministério Público reconheceu a legitimidade dessas ocupações, dizendo que “seus atos políticos devem ser entendidos, portanto, como exercício dos direitos fundamentais de liberdade de pensamento, de reunião e de manifestação assegurados pela Constituição da República de 1988, no artigo 5º”.

A pergunta que me faço é: qual o motivo de tentarem criminalizar as ocupações, incluindo a tentativa de jogar a própria sociedade contra os estudantes?

Ao tomarem tal atitude, escondem a real motivação da coragem e bravura dos estudantes: o dizer não à “PEC da Morte” (PEC 241, e agora PEC 55) e a necessidade de se dialogar sobre a reforma do Ensino Médio.

É lamentável a postura de ignorantes úteis e reaças odiosos que, com comportamento fascistóide, partem para suas agressões verbais – e até físicas, como os boçais do MBL – contra esse movimento e seus defensores.

Ao dizerem, por exemplo, que “a maioria dos alunos que está ocupando nem sabem o porquê estão lá e só querem bagunça” ou ainda, tentando deslegitimar os próprios estudantes, acusando de serem massa de manobra de sindicatos e partidos políticos – cheguei a ler alguns desses “experts” dizendo que professores também estariam por trás disso, “doutrinando seus alunos” – menosprezam a capacidade de discernimento desses jovens e subjugam o senso crítico e politizado desta geração.

Tenho plena certeza que, cedo ou tarde, esses críticos/raivosos perceberão o tamanho de seu erro, tal como fizeram durante o golpe de 64 ao apoiar a ditadura.

Devagar e sorrateiramente, o estado de exceção vai ampliando seu espaço e seus domínios. Criminalizam-se movimentos sociais, invadem propriedade privada sem qualquer mandato judicial – tal como fizeram na escola Florestan Fernandes do MST –, rasgam e cospem sobre a combalida Constituição Federal, censura-se a verdade manipulando a opinião pública. Um filme que já assistimos, não gostamos e pagamos um novo e caro ingresso para vê-lo novamente…

Iremos aceitar e sucumbir aos desejos dos verdadeiros bandidos e corruptos? Ou honraremos nossa pátria, daquela mesma bandeira nacional que outrora foi erguida “pelo Brasil”, salvando-a das garras podres e inescrupulosas desses larápios?

Será que as panelas ainda baterão contra a corrupção? Vestimentas amarelas sairão às ruas?

Ou será que a luta “contra a corrupção” não passou de uma falácia para derrubar uma presidenta legítima, sem qualquer tipo de crime?

Aceitaremos Romero Jucá, José Serra e cia. como ministros para garantirem o tal foro privilegiado que outrora revoltou tantos quando foi aventado um ministério para Lula – ainda que sem o objetivo de obtenção de blindagem como tentaram vender à sociedade?

O silêncio das panelas seguirá perante o congelamento dos gastos públicos por duas décadas, mesmo quando economistas e especialistas diversos afirmam não ser essa a saída para os problemas econômicos do país, e que isso só ampliará a recessão e o caos social?

Ao mesmo tempo que desejam e defendem a “PEC do fim do mundo”, por que não ouço panelas batendo contra o aumento de 41% no salário do Judiciário? (Judiciário que se acovarda, foi e é cúmplice do golpe de 2016!)

Estaria surdo ou realmente as panelas não estão fazendo barulho em meio ao aumento de R$ 58 bilhões para deputados, senadores e ministros? (claro, os mesmos parlamentares que votaram “pela família”, “por Deus” e por qualquer justificativa infundada, a favor do golpe travestido de impeachment!)

E os tais movimentos apartidários se calam por quê? Será que o motivo é porque muitos de seus líderes conseguiram uma boquinha no governo e na carreia política?

Pois é. Com tudo isso acontecendo, mais do que nunca tenho certeza absoluta de que esses que hoje tentam menosprezar nossos jovens, não são dignos de qualquer reconhecimento. Enquanto essa juventude se levanta e resiste, os “moralistas sem moral” são os verdadeiros arruaceiros e baderneiros.

Falem o que quiser, mas parafraseando Gonzaguinha, “eu acredito é na rapaziada”. Que a cada dia se mostra inteligente e com o poder de mudar nosso país.

A todxs xs estudantes, meu respeito, admiração e apoio!

Sigam firmes, OCUPANDO E RESISTINDO!

ESTAMOS COM VOCÊS!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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