O impeachment deu certo!

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Todas as previsões que fizemos sobre o pós-impeachment (o correto seria pós-golpe) estão se confirmando. E não precisamos ser nenhum Nostradamus, Walter Mercado ou Mãe Dináh para isso. A entrega do Pré-Sal (sob a propaganda criminosa e falaciosa da “quebra” da Petrobrás), a provável aprovação da PEC 241 e seus congelamentos e medidas austeras abusivas e inconstitucionais, o fim dos programas sociais e até mesmo a censura contra aqueles que divulgam as verdades e fatos omitidos pela imprensa abastecida e vendida pelos golpistas.

E a tal Lava-Jato? Não era para acabar com a corrupção e “pegar” todos os corruptos? Mas o que se viu até então foi qualquer coisa, menos justiça. Afinal, quando se usa de “recursos excepcionais” (leia-se: descumprimento de nossa Constituição) com uma seletividade sem vergonha por parte daqueles que deveriam zelar pelo cumprimento da lei, não se pode acreditar na seriedade de tal operação.

O tal paladino da moral, herói dos “patriotas” e “contra a corrupção”, simplesmente ignora fatos contra alguns políticos, mas entra na onda de convicções contra outros. Definitivamente, em nosso país há dois pesos, e duas medidas.

No entanto, o que mais me intriga é o silêncio ensurdecedor das panelas que outrora batiam justamente contra a corrupção. Por que se calaram? Será que a corrupção foi zerada? Ou o senso de justiça se deu a partir do momento que conseguiram destituir Dilma, e por aí parou? Estariam esses paneleiros corroborando com a fala de Romero Jucá (“mudar o governo para estancar essa sangria”) e sendo igualmente cúmplices da perpetuação dos verdadeiros corruptos?

Enquanto a mídia planta em seus expectadores (vulgos midiotas) apenas aquilo que lhes convém e interessa, o banditismo faz a festa e sapateia sob nossas fuças. Tudo muito bem orquestrado e tramado por uma direita suja (ainda que isso seja um pleonasmo). E eles conseguiram.

Uns até desistiram – lutar em desvantagem realmente cansa. Outros, assim como eu, resistiram. E não desistiremos.

E você? Admitirá seu erro – talvez até por inocência – em pedir a saída de Dilma? Admitirá sua cumplicidade – talvez levada pelo modismo e mirabolância dos desfiles na Avenida Paulista nas tardes de domingo – no golpe? Sua arrogância – talvez até por burrice – custará caro. Já está custando.

Pois saiba que cedo ou tarde, a história não perdoará. E você, se houver um mínimo de vergonha e coerência em seu patriotismo, ainda lamentará.

Esqueça os 13 anos de salário real e poder de compra, o acesso às universidades. Programas sociais, que tiraram nosso país do mapa da fome, e até mesmo as políticas públicas de transferência de renda para aqueles que mais necessitavam.

O preço a ser pago – por mim e por você – passará também pelas conquistas trabalhistas. Lembra que alertávamos que a FIESP (aquela mesma, do pato amarelo que você idolatrou!) e a própria CNI estavam apoiando o golpe porque tinham interesses em favorecer o empresariado? E não é que estávamos certos? Adeus CLT, aposentadoria. Com seu “Fora Dilma”, entrarão privatizações, terceirizações e a precarização do trabalho.

Quando estiver se sentindo triste, arrependido pelo tamanho do erro e retrocesso que causaram ao Brasil, queria muito estar ao seu lado, poder olhar em seus olhos… e dizer um sonoro BEM FEITO!

Mas não faria isso. Até porque sua atitude não irá prejudicar apenas você e seus amiguinhos de camiseta amarela – que ótimo se assim fosse! Eu, ao invés dessa atitude, continuarei lutando pelos demais e também por você, afinal, ser esquerdista é isso, e não nada daquilo que você destilava e vociferava sem qualquer conhecimento. Ser esquerdista é realmente se preocupar com o povo, com o coletivo; é ser verdadeiramente patriota. Acho que agora entende, né?

Em todo caso, essa será mais uma oportunidade – sofrida – para aprender, de uma vez por todas que aquilo que se assiste na Globo, ou se lê em revistas-latrinas como Veja, IstoÉ, e até mesmo em pseudojornais como Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo – veículos tradicionalmente apoiadores de golpes – não é o melhor para você. Muito menos quando políticos estão envolvidos e falam coisas bonitas que te enganam.

Errar uma vez, tal como errou em 64, é humano. Persistir no erro, tal como agora em 2016, é burrice. Deixe de ser burro!

Em tempo: me perdoe o animal quadrúpede, afinal, perto desta gente, és muito mais inteligente e racional!

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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