Derrotar o fascismo do século XXI

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

O título pode parecer exagerado, mas definitivamente não é.

Os dias atuais da política nacional refletem muito do cenário mundial. Não apenas pelos interesses das multinacionais e do capital estadunidense, que crescem os olhos sobre nossas riquezas e desejam controlar nossa economia – um dos motivos do golpe travestido de impeachment –, mas também sobre o papel exercido pela imprensa no comportamento das pessoas.

As recentes posturas e declarações xenófobas e ultraconservadora de países europeus em relação aos imigrantes que, fugindo de guerras civis, buscam refúgio nesses países é um exemplo. Políticos e cidadãos que defendem a expulsão dos mesmos e até mesmo a não aceitação desses refugiados, construindo muros de segregação entre o “nós e eles”. E o que dizer da disputa eleitoral nos EUA, onde um conservador fascista, claramente inimigo declarado dos imigrantes e defensor de atitudes radicais contra “essa gente”? O mais bizarro e surreal é o risco iminente deste sujeito de nome Donald Trump, ser eleito o presidente do país.

Tempos sombrios, onde a racionalidade e até mesmo a humanidade são deixadas de lado, dando lugar ao ódio e a intolerância.

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Com o apoio da grande mídia, a manipulação da opinião popular direcionou toda a culpa pela corrupção a um único partido. (Crédito: http://www.brasil247.com)

Voltemos ao Brasil. As recentes eleições para prefeitos e vereadores também refletiram esse comportamento conservador, com base em um sentimento: ódio.

Desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, a direita conservadora, inconformada com a quarta derrota seguida à corrida presidencial, decidiu que desta vez não aceitaria a derrota democrática. Resolveram defender a política do “quanto pior, melhor”, na clara intenção de não permitir a governabilidade; optaram descaradamente pela sangria do país, aquém dos interesses da nação e de seu povo. E conseguiram. Justamente porque se alinharam à grande mídia golpista, que apoiou seletivamente um judiciário ora covarde, ora partidário. Conclusão: manobraram a opinião pública de tal maneira que cidadãos inocentes compraram a ideia de que os governos progressistas do PT e seus aliados foram os únicos culpados pelos escândalos de corrupção descobertos no país.

E eis que moralistas ergueram suas bandeiras “contra a corrupção” e passaram a criminalizar apenas esses partidos e seus candidatos. A esquerda virou o bode expiatório da vez e não soube se defender – a desunião, fragmentação, disputa de egos entre outras picuinhas foram responsáveis pela aceitação desse golpe). Enquanto isso, corruptos da direita se aproveitaram do apoio da mídia e ergueram suas vozes hipócritas e de falso moralismo. Mas para os analfabetos políticos (sem nenhum tom pejorativo), como os jornais da Globo, as revistas da Abril e cia abafavam e omitiam seus escândalos, esses partidos e seus representantes foram erguidos como paladinos da moral e da justiça.

Com isso, conservadores fizeram – e fazem a festa. Lamentável que em pleno século XXI, enquanto deveríamos discutir políticas integradoras, vivemos situações de extremo conservadorismo, sob falsos pretextos como fora em 64, sob lemas como “família, pátria e Deus”, aflorando-se, assim pensamentos e comportamentos raivosos.

Os votos de candidatos de direita (alguns até mesmo de extrema direita) prevaleceram. São Paulo é o maior exemplo. João Dória, que nem ao menos experiência política tem, sempre posando com um playboy bom vivant, foi eleito em primeiro turno e não por ter propostas espetaculares à população. Mas por ser do partido que fez ferrenha oposição ao PT (e ao Brasil!). O voto do antipetismo falou mais alto do que qualquer coisa.

Em Curitiba, o candidato Rafael Greca foi o mais votado, mesmo depois de ter dito em uma entrevista que não suportava pobre e que até já havia vomitado “por causa do cheiro de pobre”. E o que falar da vereadora Michele Collins, a mais votada em Recife? A mesma que defende a submissão da mulher em relação ao homem, uma vez que, segundo diz “o homem está sim acima da mulher”.

Esses são apenas alguns exemplos.

O mais preocupante e triste nisso tudo é que muitas pessoas que votaram e ajudaram a eleger esses “políticos”, não sabem de fato quais são suas propostas para as políticas públicas. Votaram por aversão aos “progressistas corruptos” e mal sabem que, cedo ou tarde, sofrerão nas mãos da legislatura desses prefeitos e vereadores.

Em vista de tudo isso, uma pergunta: o que fazer?

Acredito que o momento agora é de convergência e união. Só assim para que sem mantenha viva a essência da ESQUERDA: a busca e a luta pela igualdade social. E para isso, deixar o egocentrismo e a arrogância dos partidos/militantes. Afinal, esquerda é esquerda!

A derrota, da forma projetada e ardilosamente preparada, realmente dói e nos desamina. Mas não nos deterá. Vamos lutar o bom combate sempre. Agirmos com retidão e seguindo nossos princípios. Vamos aceitar esse golpe, lamber nossas feridas e nos reinventarmos. A luta é todo dia e ela nos aguarda! A hora agora é de fiscalizar, cobrar e fazermos a verdadeira e correta oposição. E para isso digo e repito: precisamos de UNIÃO!

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

 

 

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