Mais uma voz unida ao Grito

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

No dia 7 de setembro, como é de costume, tivemos a 22ª edição do Grito dos Excluídos, que mais uma vez tomou às ruas de várias partes no Brasil sob a temática “Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata!”.

Este ano, tive o prazer de fazer parte desta turma e me juntei neste grito, que teve entre outras coisas, uma voz uníssona: FORA GOLPISTAS!

O dia estava nublado, a chuva pendurada ameaçava cair a qualquer momento. Mas pouco a pouco os representantes dos movimentos sociais e políticos começaram a chegar. Olhava tudo com encantamento e admiração. Pessoas das mais diversas áreas, formações e regiões de Americana, unidas pelo bem comum. Isso nos enche de alegria. Meninas, meninos. Mulheres, Homens. Idosos e jovens. Preto, branco. Todos!

grito

Fui convidado pelos amigxs a fazer uma fala em relação ao meio ambiente. Na ocasião, companheirxs do Assentamento Milton Santos/MST falariam sobre a degradação capitalista e eu, abordaria a questão do capitalismo em relação a exploração dos animais.

Confesso que fiquei um tanto quanto acanhado em ler o pequeno texto que havia preparado e decidi improvisar no momento. Deixei de lado o conteúdo histórico e exploratório do comércio existente sobre a compra/venda de animais, assim como o tráfico e o mercado abusivo que existem nos zoológicos, e preferi, de forma sucinta, enfocar na causa principal que acomete nosso povo, e foi igualmente tratada por demais pessoas: a educação.

Sempre falo que a base de todos os problemas converge para a educação. Ou melhor, para a falta dela. E os dias são sombrios com esse governo. Com a entrega do Pré-Sal, prometido pelo canalha/golpista José Serra (PSDB) desde 2009, os investimentos que seriam destinados à educação, não existirão. E com a falta dela, mais retrocesso.

Enfim, por mais que a situação tenda a ficar cada vez pior, ao participar deste ato no dia de hoje, reforcei minha esperança no povo. Afinal, depois da consumação do GOLPE, percebe-se que as mobilizações estão se avolumando cada vez mais. Pessoas de bem percebendo que foram usadas com massa de manobra. O povo está acordando.

O brilho de cada olhar, a disposição de cada um em ignorar o feriado para acordar cedo e caminhar a pé por quilômetros, sem deixar de sorrir, só me fez ter a certeza de que estou do lado certo da história!

Obrigado companheirxs, amigxs e camaradas!

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

Em tempo: apenas para deixar registrado o que tinha escrito, segue o discurso:

Exploração animal, zoológicos e o capitalismo

Assim como nós humanos, os demais animais também são importantes. Por sinal, pesquisas recentes provam cada vez mais o quanto são inteligentes e dotados de sentimentos. Assim como nós! Eles sofrem, sentem dor e precisam de carinho.

Basta olharmos para os lados e lá veremos cães, gatos e tantos outros ao nosso redor. Mas infelizmente nem todos são respeitados e estão felizes. No Brasil, calcula-se em 30 milhões de animais abandonados nas ruas. Sem comida, água e proteção.

E de quem é a culpa? De pessoas irresponsáveis e insensíveis, que os tratam como meros objetos. Muitos adotam e até mesmo compram animais com pedigree (“raça”), mas ao se cansarem dos mesmos, abandonam sem qualquer remorso.

Política públicas como a castração, e campanhas de conscientização, associadas com o cumprimento da justiça, devem ser efetivas para minimizar e até mesmo extinguir esse problema em nossa sociedade. E caso queira ser um guardião desses animais, não compre! Adote de forma responsável!

Outro ponto que gostaria de dizer brevemente aqui, são os zoológicos.

Os zoológicos são instituições que nasceram da exploração do povo mais humilde por parte dos opressores.

Negros, aborígenes e índios eram capturados como animais e levados para os jardins da burguesia europeia, expondo-os como “seres exóticos”, ignorando o ser vivo e humano. Pessoas com etnias e hábitos diferentes eram expostas a seus “donos”.

Os “zoológicos de pessoas” serviam para entreter os europeus com seus costumes peculiares, o que incluía a obrigação dessas pessoas em serem tocadas em seus corpos.

Ainda hoje é uma indústria que se traveste de “educadora” e de “preservação ambiental”, mas na verdade, vive da exploração comercial de seres inocentes. Em um mundo que valoriza o dinheiro, exploram comercialmente os animais.

Em recintos inadequados, minúsculos, muitas vezes com total falta de condições para viver, seres inocentes são trancafiados e pagam com a prisão perpétua por um crime que não cometeram. Sem falar nos casos em que filhotes nascem e são retirados de suas famílias para serem expostos em outros zoológicos.

Outra verdade que nos é escondida, é o tráfico de animais que ocorrem em grande parte destas instituições. Este tipo de tráfico, por sinal, é a terceira maior atividade ilegal do mundo, estando apenas atrás do tráfico de armas e de drogas. Estima-se que movimente mais de 1,5 bilhões de dólares apenas no Brasil! E os órgãos responsáveis por essa fiscalização, como o IBAMA e a própria Polícia Federal, ignoram os fatos.

Hoje, de maneira hipócrita, os zoológicos disfarçam essa exploração e tentam fazer a propaganda de “defensores da vida”, mas na verdade, continuam a viver da exploração dos animais.

Sendo assim, registro aqui o grito dos animais pelo FIM DOS ZOOLÓGICOS e pelo FIM DA EXPLORAÇÃO. Não sejamos cúmplices desse tipo de exploração capitalista. Não visite os zoológicos!

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