Qual a sua nota?

*Por Luz Fernando Leal Padulla

Avaliar um aluno pela nota que tira em uma prova, não é – e nunca foi – a forma mais correta. No entanto, é o mecanismo que se adota em quase a totalidade das escolas. Um método engessado, arcaico e ainda utilizado em pleno século XXI.

Quantas vezes nos deparamos com excelentes alunos, participativos, instigadores, questionadores, que contextualizam e praticam a teoria da sala de aula mas no momento das fatídicas provas, não correspondem ao esperado?

Seria isso justo? O que é mais importante: o aluno com capacidade de decorar e assimilar maior quantidade de um conteúdo, ou aquele que questiona de acordo com sua vivência e experimentação? Qual desses alunos deveria ser valorizado e estimulado pelas próprias escolas e, consequentemente, pela própria sociedade?

Creio que não há dúvidas para tais perguntas. No entanto, barra-se naquilo que ainda se objetiva no final:  o ingresso em uma faculdade. Mesmo sabendo do que seria mais funcional e rentável, barramos no sistema.

Não raras as vezes em que tive que lidar com esses alunos que pareciam ter verdadeiros “brancos” no momento das avaliações. O nervosismo poderia ser a explicação e o culpado. Por outro lado, não podemos esquecer de um ponto tão importante quanto, e ao mesmo tempo um assunto delicado: a maneira conteudista que empregamos em sala de aula para preparar nossos alunos para os temidos vestibulares e o ENEM.

Um conteúdo pesado, muito complexo e que nem sempre será útil para esses alunos. Peguemos por exemplo um aluno que pretende cursar engenharia. É um fardo para este jovem, ter que se debruçar nas detalhadas entranhas literárias, por exemplo. E no que lhe será proveitoso saber em detalhes o Ciclo de Krebs e todas suas reações?

Por mais que saibamos dessa necessidade de mudança para atender essas expectativas, são poucas as escolas e até mesmo os pais, que estariam dispostos a essas alterações. E o motivo segue sendo o mesmo: as notas e os vestibulares. Percebe-se, portanto, que o que rege a eficiência de uma escola, e gabarita seu corpo docente, ainda é o resultado pontual e frio das avaliações.

Vale ainda lembrar que uma escola mais prática, holística, com seus alunos pró-ativos, seria muito mais eficiente no próprio aprendizado.

Contudo, voltamos a questão inicial: como avaliar, em termos de nota, esses alunos?

Enquanto todo o sistema não for modificado, ou enquanto as escolas não derem um basta ao método ultrapassado de aprendizagem, todo esse conhecimento empírico que constatamos no dia a dia, serão apenas mais algumas belas e sábias teorias, que jamais passarão de uma utopia.

*Biólogo, Professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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