O que você vai ser, quando você crescer?

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Sou uma gota d’água

Sou um grão de areia

Você me diz que seus pais

Não entendem

Mas você não entende seus pais

Você culpa seus pais por tudo

E isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser, quando você crescer? ”

 

O trecho da música “Pais e Filhos” retrata bem o que quero escrever neste breve post. (Desde já peço desculpas se por acaso for redundante em minhas palavras e “meio piegas”, mas mesmo assim prefiro pecar pelo excesso do que pela omissão).

Vira e mexe somos indagados pelos alunos sobre determinados cursos, ou até mesmo quando chegam pedindo ajuda – quase que um grito de socorro! – na escolha da profissão. Ontem, assistindo a uma palestra de apresentação de uma universidade em um dos colégios que leciono, pude perceber ainda mais a angústia e aflição que tomam conta desses jovens.

Chego a ficar com o coração apertado ao ver nesses olhares as dúvidas, as incertezas e os medos – e cá entre nós, uma situação muito cruel para jovens com seus 17/18 anos. Ao mesmo tempo é prazeroso e gratificante poder contribuir com nossa experiência através de conselhos e direcionamentos.

Não sei se sou melhor conselheiro – sempre deixo isso claro para eles – mas sempre os oriento a fazer aquilo que realmente amam, ou como sempre falo: “faça aquilo que vai te motivar a acordar cedo e levantar da cama todos os dias”.

É claro que o aspecto financeiro também deve ser levado em consideração, ainda mais para uma geração do “capitalismo e ostentação”. Mas isso não deve ditar nossas escolhas. Reforço que o bom profissional, aquele que faz o que gosta e com amor, sempre terá as portas do mercado abertas. Isso os tranquiliza, mas não supre seus medos.

Conforme a conversa avança, revelam outro sério e triste problema: “meus pais não querem que eu faça esse curso”. Muitos chegam com a preocupação de “não passar fome” – frase que rotineiramente ouvem quando escolhem profissões que nem sempre agradam os interesses de terceiros, principalmente seus genitores.

Enquanto educador, e sentindo-me como “pai” de cada um, desejo realmente sigam aquela vontade que bate mais forte dentro de vocês. Creio, sinceramente, que as conquistas – incluindo as financeiras – e reconhecimento serão consequências daquilo que for feito sempre com dedicação.

Talvez sua escolha não te transforme em um milionário, mas terá consigo uma riqueza que dinheiro algum no mundo poderia te remunerar: a felicidade de fazer o que gosta.

(Ah! E se mesmo assim sua escolha não der o resultado esperado, não será o fim do mundo. Afinal, sempre é tempo de recomeçar).

Mas professor, como falar isso para eles? O que eu faço? ”. E para essas perguntas não há outro caminho a não ser o diálogo. Diálogo este que, infelizmente, nem sempre e fácil e/ou possível. Mas deve ser tentado. Seja claro ao expor seus desejos e objetivos. Ouça também os argumentos e preocupações. Conversem.

Em outras situações, alunos chegam desesperados por desejarem cursar universidades públicas e até mesmo morar longe da casa de seus pais, mas são desestimulados e até mesmo desencorajados – quando não, impedidos – pelos próprios pais. (Lembro aqui de um ex-aluno que passou no concorrido vestibular da UNESP, mas seu pai não permitiu sua matrícula, pois ele teria que morar longe).

Sou de uma geração onde quase a totalidade de meus colegas de sala almejavam uma vida acadêmica nessas universidades. A escolha pelas faculdades particulares, ainda que de excelente qualidade, eram sempre nossa segunda opção.

Hoje tudo isso se inverte, e fico me perguntando o porquê. O que explicaria isso? Talvez o medo da chamada “síndrome do ninho vazio”, quando os pais protelam ao máximo a saída de seus filhos de casa? Excesso de zelo e preocupação? Em todo o caso, sabemos que uma hora ou outra isso irá acontecer. A saída de casa é inevitável.

E a vocês pais, não temam. Todos os esforços e colaborações que puderam dar para a formação de seu (sua) filho(a) enquanto cidadão, foram feitos. Chegou a hora deles tomarem o mundo. A plumagem foi substituída por penas e estão prontas para alçar voos maiores. Deixe-os voar seus próprios voos.

 

* Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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2 comentários sobre “O que você vai ser, quando você crescer?

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