A temerária ditadura de 2016

* Luiz Fernando Leal Padulla

 Abertura da Copa do Mundo de Futebol em 2014. A presidenta Dilma vai ao estádio Itaquerão, no antro dos tucanalhas com suas camisetas amarelas da CBF, no reino do Tucanistão.

Corajosamente, ela enfrentou não apenas vaias, mas xingamentos pesados que não respeitaram nem mesmo a presença de sua filha e neta. Indagada sobre o ocorrido, a presidenta disse preferir “o barulho democrático das vaias, ao silêncio da ditadura”.

Abertura das Olimpíadas – legado, por sinal, do governo do maior e melhor presidente do Brasil, Lula. O interino e golpista Michel Temer (PMDB), pela primeira vez na história dos jogos, covardemente impede que anunciem sua presença no evento, com medo das vaias que lhe foram juradas. Golpista e figurante.

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O presidente do COI, Thomas Bach, ao lado do presidente interino e golpista, Michel Temer, que poucas vezes foi focalizado na festa de abertura dos jogos.

Ao mesmo tempo, impõem a lei da mordaça, reprimindo todo e qualquer tipo de manifestação “Fora Temer”, com o (ab)uso truculento da Força Nacional e das Polícias Militares, que de forma covarde, reprimem e levam à força manifestantes que bravamente erguem seus cartazes, vestem suas camisetas e gritam “Fora Temer”.

Em 2016, os retrocessos são tamanhos que nos remetem a 1964. Não bastasse a ruptura democrática e a perda do direito dos trabalhadores e cidadãos, um novo Ato Institucional nº5 parece ganhar vida.

E enquanto isso, mais provas de que o impeachment não passa de um golpe em retaliação a postura digna e correta desta mulher que deu liberdade às investigações contra os corruptos. Além das investigações e delações que já atingiram Cunha, Temer e Jucá, todos do PMDB, e caguetarem por nove vezes(!) Aécio Neves, e comprometerem de forma substancial o “ilibado” poliglota e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, eis que o entreguista José Serra também é novamente figura presente nos casos de propina e corrupção. (Notem que esses últimos, todos do PSDB, são os mesmos que bradavam aos quatro cantos que eram contra a corrupção, e apontavam o dedo sempre para o governo Dilma).

Mais desmoralizante ainda são as delações que atingem o senador e relator do impeachment, Antônio Anastasia (PSDB), tratado como o “superstar” do processo. Sim, o mesmo crápula que disse estar com a “consciência tranquila” pelo trabalho feito. (Frases de efeito como essa, não surtem mais efeito. Basta lembrar que o senador Patético Neves, ao celebrar o afastamento de Dilma pelo senado, “o Congresso deu mais um passo em direção à justiça e à esperança do país”).

Como bem escreveu o jornalista Jânio de Freitas em recente artigo, “as 441 folhas do relatório do senador Antônio Anastasia não precisariam de mais de uma, com uma só palavra, para expor a sua conclusão política: culpada. O caráter político é que explica a inutilidade, para o senador aecista e seu calhamaço, das perícias técnicas e pareceres jurídicos (inclusive do Ministério Público) que desmentem as acusações usadas para o impeachment (…) Do primeiro ato à conclusão de Anastasia, e até o final, o processo político de impeachment é uma grande encenação”.

A pergunta é: ficaremos assistindo tudo isso, a mercê desses bandidos, apenas lamentando? Ou uniremos nossas forças de forma massiva, ocuparemos às ruas e enfrentaremos essa gente que não nos representa? O tempo urge…

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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