Pessoas doentes, mundo louco!

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Domingo passado (31∕07) a baixa adesão nos movimentos golpistas acalentou por um lado e desanimou por outro. Cidadãos de bem parecem ter percebido a magnitude do falso impeachment, principalmente após a primeiras e graves medidas contra a sociedade e o risco que correm inúmeras conquistas histórias. Já os raivosos que preferiram desfilar na Avenida Paulista, novamente mostraram-se acéfalos ao defender a volta dos militares ao poder – pessoas essas que tenho absoluta certeza não tiveram aulas sobre o que foi o regime militar, pois é impossível a defesa de torturas, mortes, censuras e a corrupção (sim, a corrupção!) que cantavam soltas sob a falsa propaganda de ordem e progresso.

Lamentável, todavia, foi o corrido com a atriz Letícia Sabatella que, ao caminhar pela praça em direção ao seu apartamento em Curitiba, foi cercada por “reaças” que passaram a ofendê-la e agredi-la de forma gratuita. Tudo porque ela já havia expressado outras vezes sua opinião e posicionamento contrário ao golpe em curso no Brasil.

Não surpreende, no entanto, que um desses “valentes” que a agrediu, seja o filho do então presidente do Banestado, Nicolau Elias Abagge, na época do desfalque de bilhões de dólares, tratado como “a maior lavagem de dinheiro do mundo” – porém, este mesmo processo foi arquivado por aquele que é o herói atual da direita revoltosa “contra a corrupção”: o juiz (?) Sérgio Moro. (Será que agora acreditam que o “fora Dilma” dessa gente não é contra a corrupção?)

Quero aqui, mais do que registrar minha solidariedade à atriz perante os atos covardes que ela sofreu, dizer que ela não está só nesta luta. Como bem definiu o roqueiro João Gordo, em participação esta semana no programa Bate-Bola na ESPN Brasil, “as pessoas estão doentes e o mundo está louco”.

Quantos de nós, por termos opiniões divergentes, não somos xingados, difamados e menosprezados por aqueles que não aceitam dialogar e∕ou aceitar fatos contrários às suas opiniões? E quando lhes faltam argumentos, sobram-lhes apenas ofensas e agressões.

Quantos não são as “Letícias” Sabatella, “Ticos” Santacruz e “Chicos” Buarque que sofrem tanto quanto na mão dessa gente baixa, covarde e intolerante? A culpa disso tudo tem várias raízes, sendo a principal delas o ódio alimentado pela grande mídia e seus mandatários.

O que pretendem com tudo isso? Intimidação? Intolerância mútua e o caminho a uma segregação social, após uma guerra civil?

Pois saibam que não ficaremos quietos e não seremos intimidados. Todos (disse TODOS!) temos o direito de opinar e defender aquilo que achamos o mais justo. Não serão bravatas e atitudes como essas que irão nos silenciar. Foi-se o tempo que ficávamos quietos, falávamos amém e nos escondíamos.

Lembro-me de uma citação de Che Guevara, que meu amigo Dirceu Faganello sempre nos diz: “podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira”.

O respeito e a tolerância deve ser parte cotidiana na vida de todo cidadão. As acusações de que são os “vermelhos” e “esquerdistas” os arruaceiros, não se faz valer. A disputa de classes que tanto temiam e bradavam aos quatro cantos, foi promovida por vocês que, revoltados com a melhora de vida dos mais pobres, passaram a odiá-los e pregar o ódio com o falso pretexto de “combate a corrupção”. O que se vê, no entanto, é o desmanche que querem promover para que a desigualdade volte ao que era na década de 90, quando apenas os ricos tinham direitos e privilégios.

A massificação de inocentes úteis por movimentos bancados por partidos como o PSDB, DEM e SD, revelam a face golpista – ou continuarão achando, por exemplo, que o tal Movimento Brasil Livre (MBL) não recebeu dinheiro destes partidos para promover toda essa baderna?

A verdade é que eu, assim como várixs companheirxs e camaradas estamos fartos de aguentar tanta mentira, desrespeito e opressão. Até o momento nos comportamos de modo pacífico, mas saibam que tudo tem seu limite. E o nosso está perto do fim.

Torço para que tudo se resolva de forma justa e democrática, caso contrário, não pensem vocês que aceitaremos todos esses abusos de forma passiva. Afinal, como toda democracia, “o poder emana do povo” e somos nós o remédio para essa doença e seus contaminados.

* Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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