Por que odeiam o Lula?

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Cresci em uma família que sempre falou mal do Lula. Nunca ouvi um elogio ou algo do tipo em relação ao ex-presidente. No entanto, conforme fui crescendo e me informando, passei a me indagar: por que falam mal de Lula?

Ao tirar meu título de eleitor, procurei conhecer mais sobre ele. Ouvia opiniões distintas e, acima de tudo, formava minhas convicções. No colégio e, mais tarde na faculdade, revelações que jamais li em jornais ou noticiários da TV. E então, desde 2002, percebi que Lula ia além dos rótulos de uma sociedade elitizada. Como ele mesmo disse, “um peão de fábrica sem diploma” que chegou à presidência. Talvez seja esse o ódio irracional? Mas, sinceramente, por quê?

Daquele tempo até hoje, nunca achei um motivo em especial. Cheguei à conclusão, dado os comportamentos e a falta de possibilidade de um diálogo salutar e esclarecedor, sempre impedidos por palavras de grosseria, de que essas pessoas foram doutrinadas pela mídia, uma vez que são leitores do Estadão, Veja e espectadores da Globo.

O que move o ódio dessas pessoas perante a figura de Lula, deveria ser objeto de estudo da psicologia. A raiva e o rancor descabidos por parte de alguns fogem da racionalidade. Ao terminar seu segundo mandato, o ex-presidente foi avaliado com índice de aprovação recorde, ultrapassando 87%. Sua avaliação positiva enquanto estadista e liderança popular é reconhecida igualmente lá fora, tido com exemplo de cidadão e de político.

O cidadão simples, que não teve estudo foi eleito por duas vezes pela maioria dos votos. E mostrou-se competente, mesmo perante um pessimismo inicial de seu primeiro mandato. Este senhor, considerado por muitos como o maior presidente que o Brasil já teve, me inspirou a escrever esse post, justamente após o breve e marcante encontro que tivemos na Avenida Paulista…

Não sou filiado ao Partido dos Trabalhadores – gosto de reforçar isso porque sempre alguém tenta “argumentar” afirmando que sou petista – ou a qualquer outro partido. Minhas convicções são apartidárias e por isso estava novamente na Avenida Paulista, no último dia 10 de junho. Em mais um ato de defesa da democracia e contra o golpe. Mais uma vez, Lula estaria presente. Saímos de ônibus logo após o almoço e rumamos para São Paulo. Em meio à multidão de pessoas, fiquei com um grupo de amigos e nos organizamos perto da banca Trianon II. De lá poderíamos ver o carro de som e ouvir com clareza a cada um dos discursos. No entanto, eu e minha amiga Suzi decidimos ficar ainda mais perto, e rumamos para a porta de entrada do carro de som, por onde Lula entrou – a distância entre a grade que nos separava era de uns 3 metros, o que justifica o zumbido nos meus ouvidos até agora.

Não foi a primeira vez que o vi. Em 2004, quando era aluno de mestrado na ESALQ (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo), Lula esteve presente para lançar nesta universidade o Pólo Nacional de Biocombustíveis.

Lula Pólo

Mais recentemente, no dia 18 de março deste ano, também na Avenida Paulista, tive a oportunidade de vê-lo durante outra manifestação, anteriormente ao golpe. Mas dia 10 foi mais especial, justamente pelo acontecimento inesperado.

Após um discurso de pouco mais de meia hora, ele desceu até o interior do carro de som, permanecendo por mas alguns minutos, em possível reunião com Rui Falcão (presidente nacional do PT), Vagner Freitas (CUT), Guilherme Boulos (MTST), Carina Vitral (UNE) e outros representantes que, pouco a pouco, desciam do local. Eis que chegou o momento de Lula descer.  Deixando o carro de som, eis que Lula, com sua simplicidade, dispensou os seguranças e caminhou até a grade que nos separava. Estava com meu celular na mão, registrando tudo até que Lula veio em nossa direção, e nos cumprimentou. Minha amiga até deu-lhe um beijo e solicitou uma foto conosco que foi tirada por mim. Eu, com minha mão trêmula, apertei sua mão estendida até mim, e disse três frases, com a voz meio embargada pela emoção: “Obrigado presidente! Obrigado presidente! Estamos juntos com o senhor!”. Lula olhou nos meus olhos e sorriu ligeiramente.

Queria ter falado muito mais, mas estava atônito pelo acontecimento: um ex-presidente da República nos braços do povo! Além disso, o tempo também era curto. Havia muito mais a falar para Lula. Muito mais para agradecer em nome de toda uma nação.

Lula e eu
Lula, Suzi e eu. A emoção do momento impediu que a selfie ficasse melhor.

Seus olhos ainda estavam marejados pela emoção em sua fala ao lembrar, durante o discurso, da infância sofrida e das atrocidades e perseguição que ele e sua família vêm sofrendo com atos infundados do Ministério Público e da Polícia Federal, em conluio com a grande mídia golpista. Atos estes que visam, claramente, atingi-lo e calá-lo. Mas Lula é forte. E como disse em seu discurso, “quem não morreu em Garanhuns de fome, até os cinco anos de idade, não tem medo de ameaça!

Lula é um sobrevivente sim. E mais do que a fome, venceu o preconceito. Quem não se lembra das piadas que seus aliados e a direita conservadora fazia com seus erros de concordância? Das chacotas que sofria por não ser um exímio detentor do português? (Tal como fazem hoje com a presidenta Dilma). Como se isso fosse determinante para ser um bom presidente…

E Lula superou tudo isso com maestria. Para desespero daqueles que querem vê-lo derrotado e enfraquecido, Lula mostrou que um bom coração e o olhar solidário para com os mais necessitados, são mais valiosos do que títulos ou domínio de outras línguas.

A adoração do povo por Lula, não é apenas por seu carisma, mas pelo que fez e continua a fazer pelo Brasil e pelos mais necessitados. Um presidente que conseguiu fazer a maior revolução social da história do Brasil.

Por mais que queiram incriminá-lo em vários escândalos, nunca foi comprovado seu envolvimento. Lula sempre se mostrou íntegro em suas ações, a ponto de desafiar todos aqueles órgãos a quem sempre teve respeito e deu-lhes autonomia durante seu governo: “Eu quero ver o dia em que alguém vai encontrar um real de desvio nas minhas contas (…)”.

ricardo stuckert instituto lula
Imagem aérea da Avenida Paulista no dia 10 de junho. Apesar do frio intenso, mais de 100 mil pessoas estiveram presentes. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Um amigo critica essa adoração “messiânica”, pois acredita que cega as pessoas para os fatos reais. Até concordo, mas ao mesmo tempo, não acredito que alguém seria adorado pura e simplesmente por ser apenas carismático, sem que tivesse marcado a vida das pessoas. Lula não é um novo messias, nem vivemos tempos de sebastianismo. Lula apenas se destacou por olhar para aqueles que eram negligenciados e excluídos da sociedade. Lula governou para os pobres com políticas públicas eficientes e merecedoras de reconhecimento mundial.

Conhecendo-o como o conheço hoje, não consigo acreditar no que pessoas abastecidas por ódio e preconceito, tentam imputar na cabeça de outras, disseminando inverdades. Em mais de 15 anos que o acompanho, a imagem de Lula continua a mesma. Suas palavras e modo de vida são os mesmos. Não consigo acreditar que tudo isso seja mentiroso – humanamente, é impossível que uma pessoa sempre se porte de um jeito atípico ao que verdadeiramente é.

E mais do que isso. Sua fama e respeito mundial, poderiam poupá-lo do desgaste perante sua exposição pública. E aí que Lula mostra-se diferente, ao se sujeitar aos constantes ataques, justamente para defender o povo. Não seria mais cômodo Lula “se esconder”, comprar um apartamento em Paris, e viver sua aposentadoria tranquilamente? Claro que seria. Mas esse não é o caráter de Lula. Lula é o povo. Lula é a luta. Lula é…Lula!

Sei que alguns irão me julgar e podem até querer menosprezar minhas colocações. Estão no direito, desde que ajam com respeito e argumentações pertinentes. Também não quero que aqueles que não concordam comigo, mudem de opinião apenas pelo que estou dizendo. Só peço que, antes de qualquer coisa, antes de qualquer palavra de ódio e rancor contra Lula e seus aliados, lembrem-se que são pessoas, dotadas de sentimentos, de coração, de famílias. E mais do que o “ódio por ódio”, seria importante analisar o motivo deste sentimento. No fundo, pode chegar a mesma conclusão que eu cheguei.

Precisamos dar um basta nessa cultura de humilhação, ofensas gratuitas e preconceito. Há lugar para todos, desde que todos visem o bem comum e não seus próprios interesses . E, acima de tudo, com respeito ao próximo e a divulgação de verdades. Só assim, trilharemos juntos para um país justo e igual para todos.

OBS: presidente Lula, caso o senhor venha a ler este singelo post, perdoe-me por não conseguir representar aqui tudo aquilo que desejava. Mas saiba que tentei ao máximo abordar tudo que gostaria de dizer da forma mais sincera possível. E mais uma vez, muito obrigado, presidente!

Em tempo: para quem não esteve presente, segue o link do discurso de Lula: https://youtu.be/uBnFglJMFoE

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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6 comentários sobre “Por que odeiam o Lula?

  1. Fiquei emocionado ao ler este relato, tambem não consigo entender tanto preconceito, tanta mentira contra o Lula, me pauto por aquilo que ele representa, um sonho de um Brasil melhor e mais justo, um pais de todos.

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