Melhor oprimir do que prevenir?

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Vivemos tempos complicados e sombrios. Não bastassem os casos absurdos dos estupros que tiveram espaço na mídia, na mesma semana nos deparamos com o assassinato de uma criança de 10 anos, com um tiro na cabeça, pela PM de São Paulo – a mesma polícia militar que mata 2 pessoas por dia!

Muitos tentarão argumentar que a polícia apenas reagiu. Mas, sinceramente, não consigo acreditar na versão: uma criança rouba o carro e ao mesmo tempo sai dirigindo e atirando nos policiais. Difícil, ainda mais quando se pesa sobre essa instituição números condenáveis até pela ONU, que sugeriu o fim da militarização da polícia. Não estou “defendendo bandido” como poderão tentar contra argumentar. A reflexão deve ser maior.

Por que essa criança – se fez o que dizem – tomou tal atitude? Ou, como alguns gostam de dizer, se “lugar de criança é na escola, o que fazia na rua”?

Será que esse é um caso isolado e que não voltará a se repetir? Ou é apenas mais um que reflete um problema crônico de nossa sociedade, e que deve ser abordado, que é a vulnerabilidade dessas crianças? Afinal, que sociedade estamos criando e deixando para esses cidadãos?

Não adianta tentar camuflar dados e impor sigilo sobre os mesmos só para maquiar e dizer que São Paulo é um estado exemplar. Não é. Sabemos disso, mas a prepotência faz com que políticos e seus aliados defendam essa fantasiosa mentira. Será que se tivéssemos escolas públicas de qualidade, com valorização dos professores e estudantes, não seria mais vantajoso e importante do que construir presídios?

(Para quem gosta de números: em 20 anos de governos tucanos, criou-se 53 presídios, e outros 20 estão em construção, totalizando 73.)

Por que não se investe na base, fortalecendo a educação? Parando e analisando, percebe-se que todos os problemas enfrentados em qualquer sociedade tem uma única raiz: educação. Ou, melhor dizendo, a falta da mesma.

Outro caminho a ser considerado são os investimentos em programas sociais que visam reduzir a desigualdade social e assistir famílias mais necessitadas. Volto aqui a defender o Bolsa Família, responsável direto pela redução da pobreza, e reconhecido mundialmente como um programa exemplar. (Já escrevi um post sobre o mesmo: https://biologosocialista.wordpress.com/2016/01/12/eua-e-o-bolsa-familia/)

Novamente não há nada que justifique essa omissão por parte do Estado a não ser o medo desses políticos em formar cidadãos pensantes que, cientes de seu poder e dos fatos, dificilmente elegeriam essa gente.

Como disse o libertador Simon Bolívar, “um povo ignorante é o instrumento de sua própria destruição”.

Mas no reino do Tucanistão, é mais fácil e interessante matar e oprimir.  Incluindo os jovens que lutam por tais melhorias ao ocupar as escolas, tentando ter voz perante o poderio público e alertando a própria sociedade. Infelizmente, ao invés do diálogo, são reprimidos de forma violenta, tal como em um estado ditatorial, sendo brutalmente espancados e estigmatizados por ignorantes que os julgam arruaceiros.

Como bem definiu Glauco Cortez, “o legado dos governos do PSDB em São Paulo (…) mostra que eles inverteram a lógica civilizatória, que é reduzir a violência e aumentar a condição econômica e a formação cultural da população”.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

Em tempo: em solidariedade aos professores e alunos, compartilho um dos links que mostra o “modus operandi” da Polícia Militar do Estado de São Paulo, sob a batuta de Geraldo Alckmin (PSDB) perante cidadãos do bem: https://www.youtube.com/watch?v=5TD28NvIVxQ

 

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