Ecossocialismo: a ressurreição do socialismo

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

A sustentabilidade, alicerçada sobre os três pilares fundamentais (aspecto ambiental, econômico e social), é tema recorrente em qualquer assunto que se discuta nos dias atuais. É consenso a necessidade – e diria até mesmo a urgência! – de atitudes cada vez mais voltadas a este fator. No entanto, barreiras ainda existem para que tal objetivo seja alcançado. Ainda há em nosso meio, pessoas que defendem a geração de lucro acima de qualquer coisa, mesmo não sendo este o melhor caminho.

Não vou aqui ser radical/extremista a ponto de querer uma revolução total e abominação do capitalismo. Creio que não seja esse o melhor e mais adequado caminho. O que acredito é que devemos rever muitas de nossas atitudes, de forma individual e coletivamente.

O capitalismo, em tão curto tempo, demonstrou ser um sistema imprestável e insustentável – lembremo-nos das duas grandes crises mundiais recentes. A busca da sustentabilidade, que requer igualdade e equilíbrio, exige que grandes lucros sejam deixados de lado e todos possam ter acesso às condições mínimas de uma vida digna, com habitação, saúde e escolas, sem deixar de lado a preservação de nosso planeta.

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Para aqueles que veem um atraso na defesa dos pensamentos socialistas, digo que, se realmente as ideologias socialistas/marxistas fosse ultrapassadas, não estaríamos nós aqui, em pleno século XXI, discutindo as mesmas. Sim, a sustentabilidade é fruto do socialismo!

Nosso país, se realmente confirmado o golpe de Estado, caminhará em direção oposta a tudo isso, caminhando a um retrocesso histórico. Ao cortar programas sociais e incentivos na saúde e educação, volta-se a marginalização dos menos favorecidos, o que aumenta ainda mais a desigualdade social – corremos o risco, inclusive, de frequentarmos o mapa da fome da ONU, posto que abandonamos justamente nos governos Lula e Dilma.

Dilma, antes de ser injustamente afastada de seu cargo, assinou o acordo histórico entre nações do mundo todo, se comprometendo com a diminuição da emissão de poluentes e mais reservas ecológicas. Mas com membros da bancada ruralista tomando de assalto a pasta do ministério da Agricultura, nada disso será respeitado, pois grandes latifúndios serão priorizados ao invés de uma reforma agrária e demarcações de territórios indígenas, por exemplo.

E o direito à saúde? O próprio ministro já sinalizou que irá cortar o já famigerado investimento do SUS e todas as políticas voltadas à assistência dos menos favorecidos. Cabe aqui um parêntese: seria coincidência que este ministro foi financiado em sua campanha eleitoral, com mais de R$100 mil, justamente por planos de saúde privado?

O ministério da Educação, sendo ocupado pelo líder de um partido que lutou contra verbas de financiamento estudantil, como o FIES, Prouni e Pronatec, é a marca da obscenidade golpista – sem qualquer trocadilho com a presença do ator de filmes pornôs, Alexandre Frota, que levou propostas (???) a este ministro.

E o apoio incondicional ao impeachment, por parte da Fiesp? Será que foi de graça? Óbvio que não. Vêm aí as reformas trabalhistas, com precarização do trabalho, terceirizações e cortes nos direitos dos trabalhadores. Nem citarei novamente a nomeação de José Serra como ministro das Relações Exteriores e o claro objetivo de entrega do Pré-Sal – que extingue a soberania nacional e os investimentos garantidos na educação e saúde, por exemplo.

Percebam que a raiz de todo esse sistema gira em torno do capital. Os homens se corrompem em claro benefício próprio, pouco se preocupando com o bem-estar coletivo. A questão que está em jogo não é partido A ou B (se bem que existem partidos muito mais conservados e neoliberais que outros), é mais ampla que isso.

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Enquanto educador, o que mais me assusta é a cegueira e ignorância por parte de algumas pessoas. Observando os comentários de noticiários e postagens que envolvem política, é nítido o discurso de ódio, perante governos progressistas seus aliados. Não faço aqui a plena defesa dos mesmos (e posso falar com clareza, justamente por não pertencer a nenhum partido político, que eles também erraram em muitas coisas, mas ao mesmo tempo, reconheço os avanços do país com esses mesmos governos), mas fico atônito em ver que as pessoas preferem xingar, desmoralizar a tentar argumentar e dialogar de forma saudável e enriquecedora.

Sob suas visões deturpadas, apresentam argumentos vazios, baseados em memes ou em mentiras, fruto de uma tática já conhecida desde os tempos do nazismo: massificação da opinião. E para piorar, quando se tenta mostrar o outro lado, partem para a ignorância e não querem ouvir. A única e absoluta verdade é aquela que cospem.

Entendo que o grande desafio de um pensamento e uma corrente socialista, seja desmistificar e derrubar esse preconceito de pessoas que foram manipuladas por informações distorcidas, tendenciosas. Afinal, como já pontuei no post “Sem medo e sem preconceito” (veja aqui: https://biologosocialista.wordpress.com/2016/01/06/sem-medo-e-sem-preconceito/), a própria sobrevivência do planeta Terra depende de atitudes que envolvam o coletivo. Afinal, um dos fatores que nos torna humanos, é justamente termos a preocupação para com o outro e sermos solidários.

Essa é uma discussão que não acaba aqui. Deve se proliferar em nossa sociedade, tomar às salas de aulas e rodas de conversa. Discutir mudanças em prol do coletivo não é doutrinar ninguém, mas formar verdadeiros cidadãos comprometidos com nossa sociedade.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação

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