Parasitismo

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Final do dia de domingo

Entre um carro e outro

O sol repousa no horizonte predial

Numa cerca, dois mundos

A grama e o asfalto

Mas na cerca há outro mundo…

Na agonia moribunda

Uma lagarta suspira e insiste em relutar

Por ostíolos entreabertos

Tenta ainda o ar puxar…

Pulsa seu coração dorsal…

O vento bate serenamente

Acalentando a fervura do dia

De seu mesmo dorso brota vida

Dezenas de pupa engenhosamente a germinar

Da lagarta outrora viva

Uma vespa a lhe encontrar

E em sua hemocele hospedar

Ovos…larvas…pupas…adultos

Com suas asas a voar

Eis que a hemimetabolia

Cede espaço a holometabolia…

De um belo e temporário mandruvá

Não uma borboleta nascerá

Mas como toda bela vida

O ciclo deve continuar

Da tristeza desta morte

Nova vida reinará…

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