Era uma vez…

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Era uma vez um país lindo, cheio de riquezas naturais como as inestimáveis e únicas reservas de nióbio e seu extenso campo de petróleo – um dos maiores do mundo. Sua população melhorou significativamente de vida nos últimos 13 anos, dados saltos econômicos e sociais através de programas do governo que puderam oferecer maior acesso às escolas e universidades aos mais necessitados, sem falar que mais de 20 milhões de pessoas saíram da faixa da pobreza, contribuindo para que este país deixasse de fazer parte do chamado mapa da fome. Os ganhos do salário mínimo foram reais e a inflação e taxas de desemprego mantiveram-se sempre baixas. Tudo caminhava bem de uns anos para cá. Eis que o sistema capitalista entrou em colapso em 2008. Mas este país, dado seu fortalecimento nos anos anteriores, conseguiu sobreviver de maneira invejável e pouco sofreu.

Porém, em 2013, nova crise mundial, envolvendo a queda nos preços do petróleo e a redução no consumo de produtos de países exportadores chegou novamente forte. Infelizmente desta vez o baque foi maior. Países aliados economicamente não puderam escapar. As vendas caíram e o retorno financeiro foi menor. Multinacionais reduziram suas produções. Houve queda generalizada em todo mundo. Taxas de desemprego e inflação assolaram nações. Paralelamente, políticos e partidos oposicionistas, inconformados com nova derrota nas urnas, tentaram se aproveitar da situação e culpar o governo pela queda no desenvolvimento econômico. Mas o objetivo não era apenas esse. O atual governo, de uns anos para cá, começou a investigar e desmantelar todos os casos de corrupção que envolviam políticos, partidos e até governos anteriores.Isso irritou e desesperou a oposição que, na falsa premissa de uma crise interna, incendiou o país e fez a cabeça de parte da população à se voltar contra o atual governo.

Com isso, tentam de qualquer maneira derrubar o governo legitimamente eleito com argumentos manipulados com o apoio da grande mídia. Um argumento absurdo, gerado por tais manipulações é justamente a impopularidade da presidenta, uma vez que não há crimes fiscais ou qualquer outro tipo de situação justificada para a destituição legítima. E o por que a grande mídia financia esse golpe? Pois até ela e suas grandes corporações, começaram a ser investigadas e envolvidas em casos de sonegação fiscal em troca de benefícios aos governos da década de 90.

Partidos tidos como da base governista, também começaram a marcar oposição e deixar de apoiar o governo. O motivo que alegam é a mesma retórica mentirosa oposicionista: “desgoverno que assola o país com retração da economia e casos de corrupção”. No entanto, ao se analisar de forma séria, o “abandono do barco” se dá justamente no momento em que as investigações e casos de corrupção envolvem esses partidos e seus políticos. O exemplo mais explícito: a união, do dia para a noite, do PMDB e do PSDB, que confabulam desesperadamente para proporcionar o impeachment o quanto antes, na clara tentativa de interromper as investigações. Notável e importante dizer que toda a sujeira do PSDB foi escancarada, e as recentes prisões e delações, se voltam agora para os líderes do PMDB – entendem agora a agilidade que Eduardo Cunha (PMDB), que já é réu por corrupção mas continua a presidir a Câmara do Deputados, está tendo para a votação do impeachmet?

Em resumo, é essa a situação triste e preocupante que vive esse país chamado Brasil. Inocentes úteis, manipulados por uma propaganda massiva dos meios de comunicação parciais, promovem o caos e defende uma série de ilegalidades, ameaçando o Estado Democrático de Direito. Ignoram, sob a fantasia de juízes, a própria Constituição e criam um ambiente de Estado de Exceção, colocando em risco a própria democracia e soberania nacional.

Caso consigam destituir e anular o voto de 54,5 milhões de brasileiros, os corruptos de outrora continuarão suas práticas ilícitas, pois toda a culpa cairia sobre um único partido – que, comprovado seus erros, deve sim para pelos mesmos – ignorando e omitindo os demais. Que a verdadeira justiça, cega e imparcial, seja feita. Mas não é isso que estamos vivenciando.

Os argumentos vazios, sem base para a destituição de um chefe de Estado, não podem ser usados contra o país e sua ordem. Representantes do Ministério Público, Polícia Federal, e até membros da Câmara dos Deputados e Senado Federal, deveriam separar seu partidarismo e interesses pessoais daquilo que deve ser feito país. Afinal, para isso foram eleitos, e não para tentar manter a fama de moralistas, que a cada dia que as investigações sérias avançam, mostram que são na verdade, moralistas sem moral.

Felizmente, aos poucos – e espero que não seja tardiamente – a população sóbria está abrindo os olhos e se posicionando contra esses abusos. A própria classe artística, igrejas, professores de universidades, juristas e conselhos profissionais lançam seus manifestos contra o golpe. É disso que o Brasil precisa. Gente séria, comprometida com a verdade e com a democracia.

Em tempo: é bem possível que por trás dessa tentativa de golpe tenhamos financiamento norte-americano, tal como foi em 1964. Os interesses na abertura do pré-sal e a própria exploração de nióbio estão cada vez mais evidentes. E para isso, tentam inclusive enfraquecer o BRICS, que se mostra como nova força perante o FMI através de seu banco.

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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