Mais do mesmo

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Final de tarde de domingo. Ao sair com meus cachorros para passear em uma das avenidas de minha cidade, começo a cruzar com carros – diga-se de passagem, apenas “carrões” – fantasiados com gente de verde e amarelo. A onda dos “moralistas” regressava para suas casas pós-manifestação contra o governo de Dilma.

Até aí, tudo bem. É um direito de todos. Porém, observando em detalhes, aqueles que foram manifestar contra a corrupção estavam, em sua grande maioria, fardados com a camisa da CBF – símbolo máximo da corrupção no futebol do Brasil. Ao mesmo tempo, muitas dessas pessoas, dirigiam sem cinto de segurança e bebendo latas de cerveja. Talvez por “ninguém estar vendo”. Outros, ainda mais ousados, entravam em cruzamentos pela contramão e passavam no sinal vermelho. Novamente, pessoas que se julgam moralistas, dando mau exemplo. Para essa gente, corrupção é só o que acontece na política?

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E o que falar dos inúmeros empresários e patrões que estavam desfilando contra a “corrupção”, e amanhã, ao voltar para seus escritórios e empresas, continuarão a burlar a lei, sonegar impostos e explorar seus empregados? Só os petistas seriam corruptos?

Ou ainda, aqueles que continuaram com suas redes clandestinas de tv a cabo, dando “jeitinho” para tudo, sempre na intenção egoísta de levar vantagem. Pois é…eis o eleitorado que esteve revoltado tomando conta das ruas.

Quem é contra a corrupção, acima de tudo tem que dar bom exemplo. Não é apenas seguir um chamamento hipócrita de políticos corruptos, tirar selfies e posar no snapchat, fazendo às vezes de “patriota”. Há muito o que se aprender. Fico triste em saber como algumas pessoas, sem o mínimo de discernimento, entram na onda das “manifestações contra a corrupção” e do “fora Dilma”. Há muitos ignorantes úteis nesse meio. Desses, eu tenho pena. Dos oportunistas, não.

Aceitam passivamente o que a grande mídia vocifera aos quatro ventos: a corrupção é culpa do PT. Ao mesmo tempo, se esquecem dos escândalos do PSDB – já que a própria imprensa omite.

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Pior ainda é a ingratidão por parte de alguns que, graças às políticas dos governos petistas, puderam finalmente comprar suas casas através do “Minha Casa, Minha Vida”; conseguiram um diploma de curso superior graças ao FIES e Prouni. Que as conquistas para os brasileiros foram grandiosas, ninguém nega. E por que não lembramos?

Recordo muito bem, na década de 90, quando criança, como a vida era sofrida. Meu pai ralava para conseguir nos dar qualidade de vida. Quando íamos ao mercado, mensalmente para evitar a desgraça da inflação que sempre estava acima dos dois dígitos, eu e minhas irmãs escolhíamos um único pacote de bolacha para ser dividida entre nós três. Com a chegada de Lula, essa realidade mudou não só para mim, mas para muitos cidadãos. Eu, que graças a Deus não passei grandes necessidades, sou muito grato. Mais ainda deveriam ser as outras pessoas, que saíram do mapa da pobreza. Muitas, infelizmente, não reconhecem isso e entram na conversa de uma oposição fascista e preconceituosa, que tenta, de qualquer modo, embutir na cabeça desses “inocentes úteis”, que a corrupção e toda a desgraça dos Brasil, é culpa do PT. Que o que se passa no país hoje é culpa do PT e nada mais. Que a Dilma é a culpada e por isso devem ir às ruas.

Peço que cada um pare e reflita. Pense como era sua vida durante o governo do PSDB e como ela é hoje. É claro que vivemos um período de recessão, por culpa de dois importantes fatores: a crise política interna, sustentada por uma oposição que joga contra o país; e uma nova crise do capitalismo, que afeta vários países – tal como foi em 2008. Vejamos por exemplo os índices de desemprego. Nossa taxa (7%) precisa sim recuar, mas está bem menor que país como Grécia (28%), Espanha (26%), Portugal (14%), Itália (13%) e França (11%), por exemplo. Hoje temos uma inflação que passou dos 10%, mas antes, todo mês ela se mantinha acima dos 12%! E olha que não tínhamos essa crise mundial!

O país enfrenta sim um momento turbulento, mas não é toda essa calamidade que querem nos fazer acreditar. Nossas reservas seguem seguras, a Petrobrás não está falida. O que se passa é a desvalorização mundial do preço do petróleo – como já ocorreu em outros tempos – além da instabilidade econômicas de nossos compradores, fazendo com que diminuíssem o consumo.

Querem mostrar o lado negativo para que entreguemos nossas riquezas via privatizações, tal como FHC fez durante 8 anos. O PSDB tenta o golpe branco para acabar com as reserva indígenas da Amazônia e permitir, assim, a exploração e “entrega” das reservas de nióbio aos interesses estrangeiros. Querem fragilizar nosso país por conta do BRICS, que com seu banco, surge como ameaça ao FMI e a hegemonia norte-americana. O PSDB tem uma dívida com os Estados Unidos e quer que nós, brasileiros, paguemos esse preço.

Sabem que com o PT no governo, as estatais jamais serão privatizadas e os estrangeiros serão dependentes de nossos produtos e nossas regras. Não se deixe enganar. Antes de vestir sua fantasia, procure se informar. Não pague esse mico. Já imaginou daqui alguns anos ter que falar para seus filhos e netos que você apoiou um golpe contra a democracia no Brasil?

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Defendo sim o combate à corrupção, tal como o governo de Dilma vem fazendo, mas que seja uma investigação imparcial, sem interesses políticos e dentro da legalidade. Enquanto Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Carlos Sampaio, Vanderlei Macris, Bolsonaro e cia, tal como ignorantes que pedem a volta de uma ditadura militar e o rompimento da democracia estiverem à frente desse chamamento, continuarei achando que esses movimentos não passam de uma micareta burguesa fora de época, que arrasta falsos moralistas e ignorantes políticos. Para esse tipo de gente digo: não vai ter golpe!

Em tempo: alguém viu faixas/cartazes nas manifestações pedindo “Fora Cunha”? Alguma faixa cobrando o dinheiro da Máfia das Merendas Escolares de São Paulo? E sobre a Lista de Furnas?

*Biólogo e professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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6 comentários sobre “Mais do mesmo

  1. A vida é um jogo de xadrez, onde quem perde nas urnas tem que fazer uma oposição sadia, democrática, apresentando projetos de interesses nacionais com diálogo e respeito ao ser humano. Eleições presidenciais só em 2018. O resto é Golpe.

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  2. Sempre brilhante seus artigos Luiz! Sempre engajado e combatendo essa parcela racista, fascista e homofóbica, inconformados com as vitórias consecutivas da esquerda brasileira. Hasta la victória siempre!! Parabéns!

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  3. Professor Padulla, leio seus artigos publicados no Jornal O Liberal, de nossa cidade e, vejo com preocupação seu radicalismo ao defender com unhas e dentes, Dilma e Lula como se inocentes fossem. Ao referir-se sobre a manifestação do dia 13, em nossa cidade, como sendo de burgueses e empresários exploradores, gostaria de lembra-lo que a esmagadora maioria de participantes era de funcionários públicos, estudantes e trabalhadores minimamente esclarecidos e que não estão nem um pouco satisfeito com a condução de nossa política.
    Gostaria de informa-lo, ainda que, acreditando nas promessas desse governo, fiquei acionista da Petrobras (fruto da aplicação de poupança de muitos anos de trabalho árduo) e hoje vejo minha aposentadoria indo para o ralo.
    E por fim, defendo sim essa investigação que aí está, a punição severa de todos os culpados e a erradicação total, por meio de instrumentos legais, de políticos (via aparelhamento) da gestão das empresas estatais, cabendo ao Estado apenas audita-las e usufruir de seus lucros.

    Americana.

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    1. Caro Antonio, permita-me discordar de suas colocações. Em primeiro lugar, se Dilma e Lula tiverem culpa, serão investigados e deverão pagar por isso. Por sinal, graças aos governos do PT que as investigações puderam acontecer e não foram engavetadas, como era rotina durante os governos do PSDB. Em segundo lugar, a “esmagadora maioria” que descreve é totalmente diferente da que realmente foi às ruas. Alguns ignorantes políticos, facilmente manipulados por um modismo arbitrário, encabeçado por uma mídia manipuladora e tendenciosa, tal como tem ocorrido por parte do novo “herói nacional”, ídolo da oposição – Sérgio “Não Vem Ao Caso” Moro. Os verdadeiros brasileiros, que elegeram sua presidentA nas urnas, de forma legítima e democrática, não estavam desfilando dia 13. Os verdadeiros cidadãos, que defendem a democracia, e o Estado de direito, irão às ruas dia 18.

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