Mais giz, menos bala!

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Os recentes elogios do deputado estadual, Cauê Macris (PSDB-SP) talvez tenha a simpatia de seus correligionários, mas não da sociedade que sofre sob a mira dos canos fumegantes da PM, principalmente jovens e negros. Dados da UFSCar comprovam que a mortalidade nesses casos é 3 vezes maior do que entre brancos. Além desse disparate, a manipulação dos dados precisa ser denunciada. Ao divulgar os números, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo excluiu casos de homicídios envolvendo policiais à paisana e policiais civis – tais como as chacinas.

Em clara tentativa de manipular a opinião pública e causar a mentirosa sensação “de que São Paulo está funcionando”, como afirmou o deputado do PSDB, amigo do governador Alckmin (o mesmo da propina das merendas escolares, o cartel do metrô e tantos outros casos de corrupção tucana). A verdade é que não nos sentimos seguros e temos medo, inclusive daqueles “compromissados com a defesa da vida”. Os índices de morte (média de 2 por dia!), o despreparo de uma polícia militarizada e sem treinamento efetivo para lidar com a sociedade, como demonstraram recentemente no cerco aos manifestantes, e a pancadaria covarde e generalizada contra alunos e cidadãos inocentes, ilustram isso. É claro que a culpa cai sobre ela, mas a raiz disso tudo está nas políticas públicas equivocadas de um governo estadual que esquece (propositadamente?) que o berço de toda sociedade passa, obrigatoriamente, pela educação.

alckmistas

Em tempo: várias escolas, apesar da proibição pela Justiça, estão tendo salas fechadas, redução de aulas e acúmulo de funções entre os funcionários – como um único coordenador pedagógico para ensino fundamental e médio. Além dessa bizarrice – que visa atingir diretamente aos alunos e os educadores – ainda temos as lotações em sala de aula, o que desestimula alunos e professores, causando evasão escolar para que, com isso, seja nutrido o sistema carcerário. Como diria Mauro César Pereira, as declarações desses “lambe-botas”, principalmente em ano eleitoral, chegam a ser “pífias e patéticas”.

*Biólogo e professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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