Tentativa de golpe – parte 2

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

O inconformismo da derrota ainda deprime e afeta a oposição – incluindo o bom senso, se ainda tiver algum!

O golpe à base de um impeachment – que já seria absurdo por falta de elementos que o caracterizaria – parece ter morrido, mas o PSDB não desiste e agora tenta o golpe via TSE (Tribunal Superior Eleitoral), claramente dominando por interesses tucanos, uma vez que Gilmar Mendes, inimigo declarado do governo, assumirá a presidência deste Tribunal em breve. A tentativa é cassar a chapa Dilma/Temer por ter recebido dinheiro de empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato.

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Crédito: Bessinha – conversaafiada.com.br

Inacreditável que caso ocorra tamanha ruptura democrática – lembrando que isso simplesmente anularia o voto de mais de 54,5 milhões de pessoas! – assumiria o cargo um político delatado igualmente por receber dinheiro vindo das mesmas empreiteiras.

(A saber: das doações direcionadas aos diretórios e comitês financeiros dos partidos, o PMDB foi o que mais recebeu: R$ 51,7 milhões. Em seguida vêm o PT, com R$ 48,3 milhões; PSDB, com R$ 35 milhões; DEM, com R$ 16 milhões).

Qual a diferença entre essas duas chapas e suas doações? Ainda que condenáveis por envolver empresas ligadas aos governos – erro finalmente concertado para as próximas eleições – foram feitas dentro da lei eleitoral vigente à época. O próprio Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot (eleito pelo Ministério Público Federal e empossado pela presidenta Dilma, que respeitou a decisão deste órgão, ao contrário do que acontecia durante o governo de FHC, que dava suas canetadas e colocava no cargo apenas elementos de seu interesse – lembremos do “Engavetador-Geral da União”, Geraldo Brindeiro), já se manifestou contrário a essa arbitrariedade.

O que não entendo é porque esse mesmo senhor não abre investigação contra Aécio Neves (que tem imunidade parlamentar) mesmo após cinco delatores (é penta!!!!!) afirmarem que era o “mais chato” em cobrar favores financeiros, inclusive para sua campanha eleitoral.

Por que blindam o PSDB e toda culpa cai apenas sobre o PT? Por que o juiz paladino da moral, Sérgio “Não vem ao Caso” Moro não aprofunda as investigações sobre políticos tucanos? A questão não é defender partido A ou B. A questão é que está em jogo a democracia e o respeito à mesma. São perguntas que precisam de respostas, mas que dificilmente virão enquanto essas autoridades continuarem a tomar decisões partidárias visando interesses pontuais. Essa é a verdadeira Justiça?

*Biólogo e professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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