O capitalismo e a obesidade infantil

 *Por Luiz Fernando Leal Padulla

 A imagem de um bebê e até mesmo de algumas crianças “cheia de dobrinhas”, é algo que até achamos bonito. No entanto, por trás dessa beleza, existe algo muito preocupante: a obesidade infantil.

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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados mês passado, mostram que crianças menores de 5 anos apresentam taxa de obesidade alarmantes. Entre 1990 e 2014, foram cerca de 41 milhões de crianças diagnosticadas acima do peso. Quando olhamos para nosso continente, principalmente a América Latina, superamos a média mundial de 6,1% com o valor de 8% de crianças obesas.

Curiosamente, ao final de 2014 as maiores altas foram registradas em países em desenvolvimento. No continente africano, por exemplo, que apresenta os casos mais graves de má-nutrição, é também o responsável por 25% dos casos, enquanto que a Ásia detém 50% dos índices de obesidade infantil.

Vale lembrar que “ganhar peso” não necessariamente sinônimo de saúde: faz-se necessária alimentação balanceada e de boa qualidade. Um dos motivos para que se tenha duplicado tais valores em 15 anos, seja o acesso fácil as chamadas “fast foods” do mundo globalizado e o sedentarismo proporcionado pelas tecnologias cada vez mais presentes em nosso dia a dia – há casos relacionados à própria genética, mas são raros.

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Crédito: hyperscience.com

E como não poderia ser diferente, vê-se um marketing apelativo e pesado, incentivando tais consumos – principalmente de refrigerantes e produtos industrializados, que carregam enormes quantidades de açúcares e gorduras. É possível alterar tudo isso? Claro que sim! Mas o que impede é o receio e a vontade política, que teria que ir “contra interesses econômicos poderosos”, como alertou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Além de preservar a vida e consequente desenvolvimento saudável das crianças, a longo prazo os gastos também seriam diminuídos, pois medidas preventivas evitariam adultos hipertensos, diabéticos e com doenças cardiovasculares, desinchando o sistema de saúde e os gastos públicos.

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Mas há outro agravante nisso tudo. Pesquisas apontam também que a obesidade pode interferir no próprio aprendizado das crianças. Pesquisa de doutorado da fonoaudióloga Patrícia Zuanetti, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo (USP), revelou que o excesso de peso causa prejuízos na atenção e na capacidade de alternar respostas e ações, importantes processos para o processo de alfabetização, leitura e aprendizagem. Ou seja, compromete-se o próprio desenvolvimento cognitivo.

Caso não adotemos medidas saudáveis, estaremos colaborando com as projeções da OMS, que prevê até 2025, mais de 75 milhões de crianças obesas. Essas que, se o futuro permitir, tornar-se-ão adultos igualmente obesos e com todos os problemas sociais e econômicos que sabemos. É isso que desejamos?

Em tempo: aproveite o feriado e assista ao filme/documentário “Super Size Me – A dieta do palhaço”. Ajudará nessa reflexão!

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*Biólogo e professor, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências

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