Macri, o Aécio Neves “hermano”

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Passados apenas oito dias de sua posse, o presidente argentino, Maurício Macri, conseguiu talvez um recorde: mobilizar a população argentina – incluindo seus eleitores – contra suas medidas. Uma população desiludida, enganada por suas falsas promessas compareceu em massa às ruas, mesmo sendo violentamente reprimida pela polícia. Até mesmo a prisão de opositores e de lideranças de movimentos sociais, sob acusações estapafúrdias, foram feitas sob ordem do presidente/ditador. Uma das mais importantes lideranças indígenas, que encabeça os levantes populares, Milagro Sala, foi uma dessas vítimas.

Entre essas medidas, o fim do controle cambial e do subsídio estatal sobre a energia e o gás, o que elevará entre 300% e 700% o preço da energia elétrica para o consumidor. Aqui, para que se tenha ideia, por motivo justificável da falta de chuvas, e consequentemente a falta de água nos reservatórios das hidrelétricas, tivemos reajustes de cerca de 60% pela necessidade de suprir a demanda energética acionando as termoelétricas (cuja geração de energia é mais custosa). Imaginem se esse reajuste atingisse as cifras que os argentinos terão que aceitar…

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A Lei de Meios, um marco democrático da regulação da comunicação no país, extremamente necessária – inclusive aqui no Brasil -, também sofreu com o autoritarismo de Macri. Sem qualquer consulta junto à sociedade e até mesmo com o Parlamento, o presidente decidiu acabar com a pluralidade e diversidade na mídia argentina – e tal como ocorre aqui, a mídia manipuladora poderá ditar novamente as regras, sempre de acordo com seus interesses.

E seu autoritarismo e falta de diálogo não param por aí. Juristas o acusam de abuso de autoridade por ter nomeado, via decreto, dois juízes para a Corte Suprema de Justiça, o que caracterizaria um “procedimento ilegal e, em consequência, uma violação da Constituição e dos princípios de independência e imparcialidade”. E as milhares de demissões de funcionários públicos, sob a alegação de serem “ñoquis”, mas que na verdade caracterizariam sua perseguição política?

Não se surpreenda se, em breve, privatizações forem feitas, entregando estatais a preço de nada aos interesses estrangeiros – vários de seus ministérios já foram deliberados a políticos ligados diretamente à multinacionais. Como exemplo, podemos citar o Ministério de Energia, que está nas mãos de Juan José Aranguren, ex-presidente da Shell; o Ministério da Fazendo, com Alfonso Prat Gay, ex-diretor do banco norte-americano J.P Morgan; Ministério da Tecnologia, nas mãos do ex-gerente da Monsanto, Lino Barañao.

E o pior é que tem gente aqui que saúda e elogia tais atitudes. Macri, com isso, mostra-se ressentido com os governos progressistas da época dos Kirchner. Comportamento similar àquelas obras de cidades pequenas, onde um prefeito constrói algo e quando outro assume, faz uma reforma para trocar a placa e colocar aquela com seu nome. E enquanto isso, o povo é quem sofre com seus retrocessos.

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Cristina e Nestor Kirchner. Crédito: en.mercopress.com

Para analistas e cientistas políticos, é isso que o Brasil estaria vivendo caso tivéssemos o retorno do PSDB (toc-toc-toc!) e suas políticas neoliberais à presidência. A experiência da Argentina, infelizmente, nos serve de lição e de alerta. Por isso, digo e repito: PSDB nunca mais!

*Biólogo, Professor, Mestre em Ciências, Doutor em Etologia.

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