A indústria da ansiedade e da depressão

 

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

No post anterior, falei sobre a massificação de “zumbis da vida real”, causada pelo abuso das novas tecnologias que, entre outras coisas, é responsável pela nomofobia e crises de ansiedade e depressão – o grande mal do século.

Eis que surgiu esse post, quando fui pesquisar sobre os índices de consumo desses remédios. Os dados são alarmantes. De acordo com Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o uso desses medicamentos cresceu constantemente na última década. Em 2000 eram cerca de 30 prescrições, já em 2011, último ano comparado, a média aumentou para 56 para cada mil habitantes.

depressão ansiedade com

Um dos motivos seria a insegurança e a crise econômica mundial. Por exemplo, em Portugal, de 2007 a 2011 houve elevação de 20%, enquanto que na Espanha foi de 23%. Na Alemanha, essa taxa chega a 46%.

Quando se trata de medicamentos para dormir, as mulheres são maioria nas pesquisas. Uma das justificativas além do cenário mundial, seria o estresse e a pressão da sociedade, o que resulta em perturbações na hora do sono. Em 2013, pesquisas estimaram que nos países ocidentais desenvolvidos, cerca de um quarto da população tomou comprimidos para dormir pelo menos uma vez na vida. Hoje, aparecem pessoas cada vez mais novas – na faixa dos 40 anos – fazendo uso desses psicotrópicos.

No Brasil, são gastos mais de gasta R$ 1,8 bi com antidepressivos e estabilizadores de humor, colocando o país na liderança mundial, com produção de mais de 42 milhões de caixas. Favorece as indústrias – que tiveram crescimento de 200% nos últimos seis anos –, mas preocupa os médicos, uma vez que entre 2010 e 2014, a venda desses calmantes e antidepressivos no mercado nacional aumentou 8,4%, segundo levantamento da IMS Health.

Eis mais uma motivo de criticarmos duramente o capitalismo e sua busca incessante pelo dinheiro. Essa ganância nos faz trabalhar mais e mais, sem o devido tempo para nosso lazer e descanso de nossas mentes. Como consequência, ansiedade, insônia, casamentos e famílias destruídas. A solução: remédio. Ou, piorando a situação: compras no shopping.

saude medicina com
Crédito: saudemedicina,com

Levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que mais de um terço (36,3%) dos entrevistados admite que fazer compras é uma forma que eles encontram para aliviar o estresse do cotidiano. O hábito vem principalmente as mulheres (43,7%) e dos consumidores das classes A e B (40,2%), e 47,7% admitem fazer comprar para se sentir bem. O estudo aponta ainda que 3 em cada 10 consumidores concordam que fazer compras melhora o humor e 24,5% confessam realizar compras quando se sentem deprimidos. Curiosamente, a classe social que mais consome os medicamentos citados.

É um ciclo vicioso, pois assim como trabalham para ter dinheiro, gastam em supérfluos, comprometendo o próprio orçamento, se endividando e consequentemente…ficando cada vez mais ansiosos e depressivos pela falta do dinheiro. Assim como as grandes corporações fabricam a “doença e a cura” (a Bayer, por exemplo, produz agrotóxico que causa o câncer e depois nos vende os remédios para o tratamento… do câncer!). Analisando tudo isso, fica claro que a propaganda do “Compre! Você precisa!” nos cega para movimentarmos esse sistema desumano e caótico, que gera doenças, doentes e desigualdades. E como consequência, tristeza, raiva e violência.

Enquanto não tomarmos atitude e falarmos não para tudo isso, o capitalismo e suas grandes corporações continuarão a dar as cartas…

*Biólogo, Professor

 

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