‘Walking Dead’ da vida real

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Vivemos em uma sociedade conectada 24 horas por dia. Seja em smartphones, tablets, computadores, temos acesso em qualquer momento a tudo. Literalmente, não temos limite, e o mundo cabe em nossas mãos. O que muitos não enxergam é que isso está se tornando um perigo. A própria medicina precisou catalogar nova doença em seus compêndios de psiquiatria: a nomofobia.

Nomofobia 3

Essa é uma síndrome em que o paciente fica dependente do smartphone e internet – sabe aquela pessoa que fica constantemente pegando o aparelho checando email ou novas mensagens? Eis um doente em potencial!

Como sempre ouvimos, tudo em excesso é ruim. E com a tecnologia, não é diferente. Para piorar, a nomofobia geralmente está associada aos transtornos de ansiedade, como síndrome do pânico, transtorno bipolar e estresse pós-traumático.

Além dos problemas psíquicos, outro dado preocupante envolve os danos físicos. Ao usarem os dispositivos móveis viram verdadeiros “zumbis”, como bem definiu o jornalista L.J. Devon. Não é raro vermos pessoas distraídas em suas telas, atravessando ruas de forma equivocada e até mesmo caindo em plataformas de trens. Isso sem falar nos inúmeros motoristas que insistem em transitar teclando em seus smartphones, desprezando os riscos em potencial para suas vidas e a de terceiros – segundos de distração que triplicam as chances de acidente.

Para se ter uma ideia, pesquisa do pesquisas do Instituto de Tecnologia dos Transportes da Universidade de Virginia, mostrou que as pessoas, ao olharem para seus aparelhos em uma estrada, desviam o olhar da pista, em média, 23 segundos, o que corresponde, em um carro viajando a 60 km∕h, 380 metros de percurso às cegas. Quando a 100 km∕h, são 640 metros de deslocamento.

Ao entrarem nesse mundo virtual, é como se as telas os hipnotizassem, como se entrassem em um transe digital, mantendo-as em um cativeiro praticamente impossível de se desconectar.

Traduzindo tudo isso em alguns números: o Conselho Nacional de Segurança, dos EUA, fez um levantamento e constatou que essas distrações são as principais causas de lesões e morte. De 2005 a 2010, duplicaram-se os atendimentos em prontos socorros de emergência, totalizando mais de 1500 ocorrências. Quedas causadas por essas pessoas distraídas por seus smartphones respondem por 80% dos atendimentos. Pedestres atropelados pelo mesmo motive, são 10% dos casos totais de atropelamento. E como era de se esperar, a faixa etária dos principais afetados são jovens entre 21 e 25 anos.

Mais do que mera implicância dos pais, amigos e professores, é uma questão de saúde pública. Assim como é quando tratamos do uso de álcool e direção.

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Nós precisamos desconetar, e sentir (relembrar!) que existe vida real, além da virtual! Quem sabe em pleno século XXI, redescubramos que somos seres humanos dotados de cérebro e coração, e não de chips.

 

*Biólogo, professor

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