EUA e o Bolsa Família

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Quando critico o capitalismo, da forma selvagem como é (como cantaria “Os Titãs”), muitos argumentam: “mas olhe para os EUA! Lá não existem mendigos!” – quando não cospem e destilam o ódio dizendo “vai para Cuba!”.

Confesso que nunca fui para a terra do Tio Sam, mas acompanho notícias e converso com gente que lá esteve.

O símbolo maior do liberalismo econômico, tratado sempre como a terra das oportunidades detém um alarmante número: 80% de sua população vive próximo a pobreza ou abaixo da linha da miséria – tais dados podem ser consultados na publicação Political Blindspot. Mais do que isso, chama a atenção o aumento cada vez mais acentuado entre ricos e pobres. Exemplificando, em termos práticos, 1 em cada 4 nova-iorquinos dependem da ajuda de ONGs e autoridades para comer na Big Apple – lá existe o SNAP – Supplemental Nutrition Assistance Program – que ajuda 40 milhões de americanos de baixa renda a se alimentarem.

O recente levantamento feito pela ONG Feeding America, escancara os abusos do capitalismo: pelo menos 12 milhões de crianças estão à beira da fome em todo o país, sendo que mais de 3,5 milhões de crianças com menos de cinco anos passam fome, ou seja, 1 em cada 6 das crianças norte-americanas.

“E o Brasil nisso tudo?”, é o que devem estar se perguntando.

Hoje, nossa nação é destaque e referência mundial no combate à fome e à pobreza, graças às politicas públicas adotadas pelos últimos governos progressistas – ainda que não goste do Lula, da Dilma, não temos como negar esses avanços.

O Bolsa Família, como programa de inclusão social, está sendo copiado no mundo inteiro. Foi (e é) destaque no último relatório da ONU, assim como na edição de janeiro/ fevereiro de 2016 da “Foreing Affairs”, uma das mais respeitadas publicações sobre relações internacionais. Em seu artigo “A Importante Descoberta Brasileira Antipobreza – O Sucesso Surpreendente do Bolsa Família”, elogia o esforço no combate a pobreza, e reconhece a iniciativa como “exemplo a ser seguido por outros países”.

Para a UNICEF, os benefícios vão além, pois promove “melhorias na escolaridade de crianças e adolescentes, redução da mortalidade infantil, avanços nos indicadores de qualidade nutricional e resultados expressivos na redução da pobreza”.

Traduzindo em alguns números:

  • de 2004 até hoje, a pobreza crônica caiu 87% no país;
  • redução do número de mortes por desnutrição em 65% e por diarreia em 53%;
  • paralelamente, isso permitiu 17 milhões de crianças na escola, reduzindo a desigualdade da educação em mais de 41%.

É isso que vivenciamos nos últimos anos, o que permitiu que saíssemos, por exemplo, do mapa da pobreza. Atualmente, o Bolsa Família atende 47,8 milhões de pessoas, cerca de 23% da população brasileira.

Maritacas de plantão, dirão que é o fatídico “voto cabresto”, “troca de votos”, “criação de vagabundos” e por aí vai. Mas não é por aí. Para começo de conversa, é um programa do Governo Federal em parceria com o município destinado a beneficiar as famílias em estado de pobreza ou extrema pobreza.

(Quem realmente se interessar, e quiser respostas mais específicas, com fontes diversas – incluindo matérias de jornais e portais de internet – recomendo o site http://brasildamudanca.com.br/bolsafamilia/mitos/)

E o mais curioso – e bonito, diga-se de passagem – é a atitude que alguns dos beneficiários têm tido. Muitas dessas famílias, quando melhoram de vida com a ajuda do Bolsa Família, fazem questão devolver o cartão de benefícios, em claro sinal de humildade. Dados de 2013, mostram que Beneficiários que deixaram programa são 12% do total de 13,8 milhões de famílias atendidas (ou 1,69 milhão de famílias). Um verdadeiro tapa na cara de nossa sociedade para lá de hipócrita!

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Crédito: http://www.vermelho.org.br/go/noticia.php?id_noticia=274552&id_secao=10

Talvez para eu e você, que aqui estamos, e nunca vivenciamos o que é realmente fome – muito diferente da “vontade de comer” – às vezes pode parecer difícil entender um programa como o Bolsa Família. Mas fica aqui esse singelo post para que possamos refletir, sermos solidários e desenvolver nosso lado humano.

LFLP3

*Biólogo, Professor

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