O que há por trás do golpe

*Por Luiz Fernando Leal Padulla

Desde que governos progressistas ocuparam seus postos em países da América Latina, a oposição, sem se importar com a nação a que respondem, sempre tentou desestabilizar. Basta olharmos para as fatídicas ditaduras, que sempre tiveram o apoio dos norte-americanos. São vários os documentos que comprovam isso.

Recentemente, com nova vitória da presidenta Dilma, pesquisas mostraram índices de rejeição da mesma em níveis elevados. Foi a primeira tentativa de golpe abraçada pelo PSDB e seus comparsas. O intrigante é a maneira como as coisas acontecem. Lamentavelmente, nos protestos que se seguiram, vimos energúmenos pedindo a volta dos militares – ou seja, golpe. O mesmo aconteceu com João Goulart. Pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe de 31 de março de 1964, mostravam que Jango tinha amplo apoio popular – cerca de 70% de aprovação. No entanto, para desmoralizar e pressionar o então presidente, não foram divulgados esses números – só recentemente revelados. E a ideia de que o presidente era frágil, não tinha o apoio dos partidos e nem da população, prevaleceu para que os militares dessem o golpe em 1º de abril. A população foi manipulada e moldada de acordo com os interesses ditados, inclusive, pela grande impressa, que incluía os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Daria para confiar nesses dados do Ibope?

folhadiferenciada blogspot com

MANIFESTAÇÃO/FORA DILMA/AVENIDA PAULISTA
SP – MANIFESTAÇÃO/FORA DILMA/AVENIDA PAULISTA – POLÍTICA – Manifestantes fazem protesto pelo impeachment da PresidentE Dilma Rousseff (PT), na tarde deste sábado (1) na Avenida Paulista, em São Paulo. 01/11/2014 – Foto: CRIS FAGA/FOX PRESS PHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Mais de 50 anos se passaram, e a situação é praticamente a mesma: a campanha absurda da grande impressa contra o governo. Não raramente, vemos manchetes distorcidas para tentar ludibriar e fazer a cabeça dos leitores de que o governo atual é ruim e está acabando com o Brasil. A retórica é sempre a mesma. Uma simples pesquisa na internet e comprovarão o que digo. Quantas vezes omitem o nome de um acusado e o identificam como “amigo do Lula”, “ministro da Dilma” e por aí vai. Não estou defendendo esse ou aquele partido ou político. Acho que todos que estejam realmente envolvidos devem sim ser investigados e pagar por possíveis crimes. O que causa revolta é a maneira como são tratados cada um dos políticos e partidos. Ou, como dizemos, “dois pesos e duas medidas”.

Por que, por exemplo, não vimos nas manchetes da prisão do banqueiro André Esteves, o termo “padrinho do casamento de Aécio Neves”?  Ou ainda, das que tratavam da apreensão de 450 kg de cocaína no helicóptero de Perrella, como “amigo e aliado de Aécio Neves”?

Quando vazam as tais delações premiadas, podem perceber que é sempre para prejudicar o partido do governo e seus aliados. “Ah! Mas é que não tem político e partido da oposição envolvido!”, alguém pode dizer. Mas tem. E isso já foi mostrado – não escancaradamente, como deveria ser. O próprio líder e presidente do PSDB, Aécio Neves, já foi delatado no mínimo por três vezes. Em agosto de 2015, Alberto Youssef disse que de 1994 a 2001, quando o PSDB era responsável pela diretoria de Furnas, Aécio teria recebido dinheiro fruto de propina da estatal do setor elétrico: 120 mil dólares por mês. O mesmo foi confirmado pelo outro delator, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A mídia tentou ao máximo esconder isso. E muitos jornais, não se lia “Aécio Neves”, mas sim “Políticos do PSDB”.

Costa e Youssef ainda disseram que Sérgio Guerra – ex-senador e ex-presidente do PSDB – recebeu R$ 10 milhões para “abafar” uma CPI no Congresso Nacional para investigar irregularidades na Petrobras em 2009. Recentemente, outro delator (Alexandre de Souza Rocha, o Ceará), confirmou repasses a Sérgio Guerra e Aécio Neves. Mais recentemente, o ex-diretor de Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que durante o governo FHC, a compra da empresa argentina Pérez Companc (PeCom) pela Petrobras “envolveu uma propina ao governo FHC de US$ 100 milhões”.

Ao sentenciar o ex-senador e governador mineiro, Eduardo Azeredo (PSDB), pelo “mensalão tucano”, a juíza Melissa Pinheiro Costa Lage Giovanardi, é categórica ao afirmar que “o acusado, juntamente com seus pares, planejou e determinou a execução de toda a empreitada criminosa a fim de desviar dinheiro público das empresas estatais (…). Criou-se uma organização criminosa complexa, com divisão de tarefas aprofundada, de forma metódica e duradoura“. Como diz o jornalista Jeferson Miola, “nos escândalos atuais da Petrobrás, é instigante que tanto os personagens da era tucana como os mecanismos de corrupção e propina se repetem hoje”. Pouca repercussão teve isso na mídia.

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Crédito: vermelho.org.br

E o que falar quando se levantam factoides sobre possíveis manipulações que o governo tem feito para atrapalhar as investigações? Ou não se lembram das matérias que acusavam o corte, por parte do Ministério da Justiça, de investimento junto à Polícia Federal do Paraná, responsável pela Operação Lava Jato? Isso viralizou e se tornou “verdade”. Só depois que tomou as manchetes de jornais e televisões (lembremos que no Brasil, seis famílias controlam 70% da informação!), é que o diretor-geral substituto da Polícia Federal, Rogério Augusto Viana Galloro, enviou um ofício ao ministro negando isso e lembrou ainda que a cota orçamentária de despesas de custeio da Superintendência no Paraná, em 2015, era de R$ 15,7 milhões, mas foi elevada para R$ 21,6 milhões. Mas é claro, isso a mídia omitiu e preferiu deixar o povo acreditando nos tais cortes.

Como dizia o ministro da propagando de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade“. Uma vez mais, o comportamento da mídia é golpista, descaradamente.

Mas o circo não para por aí. Uma vez fracassada a ideia de derrubar o governo, os “moralistas sem moral”, vendo que seus representantes estão igualmente atolados em uma lama de corrupção, tentam jogar com mais mentiras. E mais do que prejudicar o governo, prejudicam a nação brasileira!

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A grande mentira da vez é sobre o prejuízo do Pré-Sal, a grande reserva de petróleo nacional, que coloca o Brasil entre os maiores produtores do mundo. O sinal mais recente foi a mobilização do PSDB para entregar o Pré-Sal aos norte-americanos, continuando com sua política entreguista que sempre norteou seu caminho – fato este comprovado por documentos vazados pelo Wikileaks, onde José Serra, então candidato à presidência, garantiria mudar as regras  a favor do interesse das petroleiras americanas. Hoje senador, uma de suas cartadas entreguistas foi a tentativa de colocar fim à participação da empresa estatal em ao menos 30% nos consórcios de exploração do Pré-Sal.

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Crédito: brasil247.com.br

Isso, além de prejudicar a economia do país (recordes de exploração nessa área são cada vez maiores), compromete também as perspectivas para a melhoria da educação e da saúde, uma vez que a lei que rege o Fundo Social do Pré-Sal, garante parte dos recursos provenientes da reserva energética para esses fins. Novamente, a proposta deste tucano não me surpreende, afinal, o descaso para com a educação é uma das marcas registradas do governo do PSDB – massacre de professores e estudantes no Paraná com Beto Richa, e em São Paulo, com Geral Alckmin, por exemplo.

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A meu ver, toda essa mobilização contra os atuais governos – que, diga-se de passagem, tem sim seus equívocos e aspectos a ser melhorado – vai muito além disso tudo: o receio de que os corruptos, finalmente, paguem por seus crimes.

Dados divulgados no início desse ano, pela Controladoria Geral da União (CGU), mostram uma política de fortalecimento e autonomia dos órgãos de controle e combate à corrupção no país. Desde 2003, o Poder Executivo expulsou 5.659 servidores, dos quais 4.729 foram demitidos; 426 tiveram a aposentadoria cassada; e 504 foram afastados de suas funções comissionadas. Bem diferente do que acontecia sob o regime do PSDB.

Vamos lembrar da nomeação dos procuradores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos governos petistas, todos que foram indicados pelas listas tríplices de seus respectivos órgãos, forma empossados. Durante a gestão FHC, o cenário era diferente, pois indicava pessoas de seu interesse, controlando com mão-de-ferro a Polícia Federal, o Ministério Público e o Congresso, não permitindo a instalação de CPIs incômodas – lembram-se do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro? Ou seria o “engavetador-geral” da República?

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E aí que está o ponto. Com Dilma (e também com Lula), a corrupção não está sendo varrida para debaixo do tapete, como sempre foi. E é isso que está incomodando demais. Tirar Dilma do comando hoje, seria muito melhora…para corruptos, sonegadores, desonestos.

Uma operação que promete balançar ainda mais os alicerces da grande imprensa é a Operação Zelotes, que desmontou um esquema dentro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf),  órgão do Ministério da Fazenda, onde governo e contribuintes tentam resolver disputas tributárias sem passar pelo Judiciário. Os principais nomes envolvidos seriam da RBS (filiada da Rede Globo), Santander, Bradesco, Opportunity, Camargo Correa, Safra, Gerdau. Estima-se que o valor total sonegado ultrapasse os R$20 bilhões. Mais do que a mídia golpista, a Zelotes atinge diretamente os defensores imediatos do golpe, como Paulinho da Força (Solidariedade), Alberto Fraga (DEM) e Augusto Nardes (ministro do Tribunal de Contas da União – o mesmo que recomendou a rejeição das contas de Dilma ao Congresso). Seria mera coincidência?

O papel da mídia, que concentra e é seletiva nas informações, é preocupante. É ela a grande responsável por plantar a semente do ódio nas pessoas, confundindo, divulgando boatos, omitindo fatos e criando discórdia entre os cidadãos. Até quando ficaremos reféns dessa situação? Até quando será permitida a manipulação de informações para agradar apenas certos interesses? Nesta guerra, a desinformação é uma perigosa arma.

 

LFLP3

*Biólogo, Professor

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